O presidente da Câmara do Porto exigiu um tratamento equitativo para todo o país, acusando o Governo de existirem "dois países".

"Não pode haver um país e depois haver Lisboa. Tem de haver um único país e nós temos de exigir um tratamento igual para o todo nacional", afirmou Rui Moreira, numa declaração vídeo publicada na página oficial da Câmara do Porto.

Numa conferência de imprensa de apresentação das medidas a implementar na região de Lisboa e Vale do Tejo, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, indicou que a vacinação na faixa dos 40 anos arranca em Lisboa e Vale do Tejo. Uma imprecisão do governante, já que esta medida será adaptada a todo o país, confirmou esta terça-feira fonte da task-force à TVI.

Numa breve declaração gravada ao final da tarde, o autarca do Porto afirmou que não se podem alterar regras em função de circunstâncias, prejudicando a "unidade nacional" e as atividades pessoais e económicas.

O que eu queria dizer ao Governo claramente e às autoridades competentes é que nós exigimos um tratamento equitativo para todo o país nesta matéria", reiterou.

Afirmando estar "totalmente solidário" com o crescimento da covid-19 em várias zonas do país, o independente considera, contudo, "absolutamente inaceitável" que "subitamente se crie uma situação de a verdadeira exceção", depois do aumento de casos em Lisboa e Vale do Tejo.

Para o autarca, aquilo que se esperava é que fossem tomadas medidas semelhantes às que foram tomadas no resto do país, como aconteceu em Montalegre, onde o aumento de casos levou a um retrocesso no desconfinamento.

Bem sei que a dimensão é diferente, bem sei que são mais pessoas, mas aqui parece-me haver claramente benefício ao infrator", disse.

Moreira considerou ainda esta questão é causadora de "alguma revolta", em face do esforço que o município do Porto tem feito no combate à covid-19.

Quando municípios, como o município do Porto se esforça em relação à vacinação por fazer drive-thru, por organizar as coisas para a vacinação isso é recusado pelo Ministério da saúde, nada disso parece importante, o que parece importante são as ordens emanadas do centro de poder", lamentou.

. / HCL