O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil registou quase quatro mil focos de incêndio desde a entrada em vigor da proibição de queimadas, que está em curso desde a passada quinta-feira. Grande parte dos novos fogos registados situa-se na Amazónia, região que tem mais de 50% dos incêndios em território brasileiro desde o início do ano.

Ao todo, são 3859 os fogos que começaram desde quinta-feira, continuando a ameaçar a floresta amazónica, que tem sido fortemente devastada pelos fortes fogos deste ano. Recorde-se que o número de incêndios no Brasil cresceu cerca de 70% em comparação com o período homólogo.

Enquanto isso, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, continua a afirmar que os números apresentados pelo INPE são mais baixos dos de anos anteriores, enquanto os investigadores apontam uma aceleração na desflorestação da Amazónia, o que já levou a PGR brasileira a levantar dúvidas sobre o crime organizado como um dos eventuais responsáveis.

Um estudo do INPE mostra que, só em junho deste ano, a Amazónia perdeu cerca de dois mil quilómetros quadrados para a desflorestação, sensivelmente a mesma área do distrito de Lisboa.

Recorde-se que o diretor do INPE, Ricardo Galvão, foi demitido do seu cargo por Jair Bolsonaro, depois de o instituto ter publicado dados polémicos sobre a desflorestação na Amazónia.

Os incêndios na Amazónia têm causado uma guerra de palavras entre Jair Bolsonaro e o presidente francês, Emmanuel Macron. O presidente brasileiro chegou mesmo a apelidar de "esmola" os 20 milhões de euros que o G7 quis alocar para a ajuda no combate aos fogos.