O Presidente da República expressou, este domingo, uma “alegria incontida” com a escolha de Lisboa para acolher as próximas Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), destacando que a língua portuguesa falada em todo o mundo pesou na decisão.

É uma alegria incontida e é começar a sonhar já e a projetar já o que se vai passar daqui a três anos e meio”, disse à agência Lusa Marcelo Rebelo de Sousa, na Cidade do Panamá, para onde se deslocou a convite do seu homólogo panamiano para as JMJ que hoje terminam.

O Vaticano, anunciou hoje, na missa de encerramento das JMJ, na Cidade do Panamá, que Lisboa é a próxima cidade a acolher aquele que é considerado o maior evento organizado pela Igreja Católica, um encontro de jovens de todo o mundo com o Papa, num ambiente festivo, religioso e cultural.

Acho que nós conseguimos, conseguimos todos, conseguimos nós portugueses, conseguiram naturalmente os católicos de Portugal, conseguiram os bispos católicos, conseguiu D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, mas conseguimos nós todos como povo e conseguimos nós que falamos português”, assinalou o chefe de Estado.

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Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “foi muito importante um argumento essencial para esta decisão, o ser um país que pudesse abrir para vários continentes e, nomeadamente, para África, porque é o único continente que ainda não teve as Jornadas Mundiais da Juventude”.

E entendeu-se, e bem, que Portugal, além de abrir para o continente americano e, obviamente, abrir para a Europa, abria para África, para a que fala português muitíssimo, e que vamos reunir em Lisboa, para aquela que não fala, mas também vai vir até Lisboa”, adiantou.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal ser o segundo país lusófono a receber as JMJ depois do Brasil, em 2013, “é o reconhecimento do peso da lusofonia, do mundo que fala português”.

E, ao mesmo tempo, o peso de Portugal, o peso de Fátima, o peso do povo católico português. Mas eu não escondo que a lusofonia e o falar-se português e o estar-se presente em todos os continentes em todo o mundo pesou na luta que foi muito difícil com outros candidatos a estas jornadas de 2022.”

Governo diz que a notícia "é extraordinária"

O primeiro-ministro garantiu já que o Governo dará "todo o apoio" para garantir o sucesso das JMJ em Lisboa, que classificou como "evento extraordinário".

"Notícia extraordinária" foi também a expressão utilizada pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, admitindo que o país nunca recebeu um evento desta dimensão.

Estamos a falar do maior evento de juventude que há no mundo, eu não sei mesmo se alguma vez em Portugal recebemos algo parecido com isto e, portanto, é uma notícia extraordinária. Eu diria que é de uma alegria absolutamente extraordinária para o nosso país, evidentemente para a Diocese de Lisboa, para a Câmara Municipal de Lisboa, mas claro também para o país, que vê assim reconhecida, mais uma vez, a grande capacidade organizativa que tem”​​​​​”, afirmou à agência Lusa João Paulo Rebelo, na Cidade do Panamá, onde se deslocou em representação do executivo.

Questionado se o Governo está empenhado na concretização das JMJ, o secretário de Estado garantiu que sim.

Não será este Governo, será o próximo Governo que estiver em funções, mas é, desde já, obviamente, um compromisso de Portugal, mais do que qualquer Governo.”

Reiterando satisfação com o anúncio, João Paulo Rebelo informou que em junho próximo Portugal vai receber uma conferência mundial de ministros da juventude.

Com o apoio das Nações Unidas, 21 anos depois, voltamos a ter uma conferência mundial de ministros, em que queremos não só os responsáveis políticos da juventude, mas também vão estar todos os países representados com delegados jovens a refletirem, sobretudo, a darem o seu contributo para o que vai ser a revisão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, adiantou.

Lisboa já teve grandes eventos mas nenhum assim

O presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, afirmou hoje que a capital portuguesa “tem uma história grande na realização de eventos, mas nenhum com esta dimensão”.

Nenhum desta dimensão e nenhum desta importância”, frisou à agência Lusa Fernando Medina, na Cidade do Panamá.

O presidente do município disse que a Câmara vai agora “ter um trabalho muito grande”, em conjunto com “a diocese, com os grupos, com os jovens, com as empresas, com as associações”, com todos os que vão “fazer de Lisboa uma grande capital em 2022”.

Fernando Medina garantiu que a capital portuguesa fará os “investimentos necessários” para a concretização das JMJ em 2022.

Faremos os investimentos necessários a esta organização e que subsista, também, uma marca na cidade deste evento que perdure ao longo do tempo, é isso que vamos fazer”, afirmou.

Questionado sobre os custos que uma iniciativa como esta, considerada a maior da Igreja Católica, podem ter no município, Fernando Medina frisou que as JMJ têm, “acima de tudo, um impacto simbólico e um impacto social, de cidadania e político que não tem contabilização financeira possível”.

Agora nós faremos, em conjunto com a organização, um evento de grande qualidade, capaz de preparar a cidade para este acolhimento.”

Fernando Medina referiu ser “muito entusiasmante poder ter Lisboa como local de acolhimento das JMJ, um momento que vai reunir centenas de milhares, senão, mesmo, milhões de jovens de todo o mundo”, que se vão encontrar na capital portuguesa “na sua fé, mas também no seu sentido de humanidade, no seu espírito de reunião, de encontro, de reflexão, de partilha”.

Nas JMJ em Madrid, em 2011, a organização estimou que o evento iria custar 50 milhões de euros, referindo, contudo, que os jovens deixariam na capital espanhola o dobro em gastos durante a estadia na cidade. Do valor total do custo, cerca de 70% seriam assumidos pelos próprios peregrinos, com o restante a vir de donativos de empresas, incluindo as maiores de Espanha. Outra parte viria de doações diretas de pessoas e de mecanismos como o envio de SMS. Na ocasião a Federação Espanhola de Associações de Agências de Viagem estimou que o setor hoteleiro e turístico madrileno teria um impacto diário de 30 milhões de euros.

Cardeal-patriarca expressa “muita alegria”

O cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, expressou hoje “muita alegria” com o anúncio, destacando a importância para a lusofonia da escolha.

É com muita alegria que, como patriarca de Lisboa e um dos bispos de Portugal, porque isto é para nós todos, recebermos esta notícia de que será em Lisboa a Jornada Mundial da Juventude de 2022. Também na esteira do último sínodo dos bispos que quis que dessemos protagonismo maior aos jovens na vida da Igreja, esta será uma ótima concretização”, afirmou à agência Lusa Manuel Clemente.

Segundo o cardeal-patriarca, “esta jornada em Lisboa deve-se, sobretudo, ao movimento grande dos jovens católicos de Portugal, que, de várias maneiras, de há uns anos a esta parte, têm pedido que haja um acontecimento assim em Portugal”.

Será em Portugal, será, concretamente, em Lisboa, será para toda a lusofonia, com uma especial insistência para que venham os nossos irmãos lusófonos de África e de outras partes do mundo, também com certeza os nossos caríssimos irmãos brasileiros que estão sempre tão presentes com tanta força para que também em português se diga Jornada Mundial da Juventude”, acrescentou Manuel Clemente.