Os talibãs têm lutado contra o governo afegão desde que foram afastados do poder em 2001. Vinte anos depois, cidade a cidade, recuperaram o controlo do país.

Enquanto esteve afastado do poder, o movimento extremista reagrupou-se em diversas partes do país e até em países vizinhos do Afeganistão. Nos últimos anos, os talibãs nunca deixaram de atacar, sempre que puderam, as forças internacionais no país. 

Atualmente o grupo tem um líder supremo, um conselho com 26 membros e um "gabinete de ministros" que supervisiona atividades em diferentes áreas, como militar e económica. Estas são algumas das figuras-chave do movimento:

Haibatullah Akhundzada

É quem está atualmente na liderança do movimento extremista. Akhundzada esteve envolvido na resistência islâmica contra a campanha militar soviética no Afeganistão na década de 1980. Quando assumiu, a sua reputação era mais a de um líder religioso do que propriamente de um comandante militar.

Nos últimos anos, tem sido uma figura importante nos tribunais dos talibãs. Acredita-se que seja o responsável por decisões por trás de punições islâmicas - como execuções públicas de assassinos e amputações de condenados por roubo.

Mullah Abdul Ghani Baradar

Apesar de Akhundzada ser o líder supremo dos talibã, é o mulá Abdul Ghani Baradar quem aparece mais frequentemente. É um dos fundadores do grupo e o chefe político.

Baradar teve um papel importante em quase todas as principais guerras no Afeganistão e permaneceu como o principal comandante do movimento até o regime ter sido derrubado. 

Abdul Ghani Baradar acabou por ser capturado num ataque conjunto dos Estados Unidos e do Paquistão no sul do Paquistão em fevereiro de 2010. Anos depois, as autoridades paquistanesas libertaram-no num contexto de esforços dos Estados Unidos para reativar as negociações de paz entre o moviemento e o governo afegão.

Quando foi solto, Baradar assumiu a liderança do escritório diplomático dos talibãs em Doha, num esforço para facilitar as negociações com os Estados Unidos e o governo afegão a partir da retirada de tropas americanas. As negociações diretas foram bem sucedidas e os países celebraram um acordo de paz em 2020. 

Mullah Mohammad Yaqoob

Filho do mulá Mohammed Omar, fundador e principal líder dos talibãs morto em 2013, Muhammad Yaqoob foi "promovido" rapidamente dentro da organização. Atualmente é o líder militar do grupo e acredita-se que esteja em território afegão. 

Abaixo dele, há 5 mil unidades militares talibãs espalhadas pelo Afeganistão, dedicadas ao fornecimento ou apoio logístico de treino, homens-bomba, armamento e explosivos.

 

Sirajuddin Haqqani

Ligado aos talibãs, a guerrilha Haqqani luta contra as forças norte-americanas, a NATO e o governo afegão, e é responsável pelos mais violentos ataques dentro do Afeganistão, como a explosão de um camião-bomba em Cabul em 2017 que matou mais de 150 pessoas.

Hoje, quem comanda o grupo é Sirajuddin Haqqani, filho do antigo líder, Jalaluddin Haqqani.

A rede Haqqani é um dos vários grupos militares que operaram em áreas ao longo da fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão após a operação militar norte-americana que derrubou o regime talibã em 2001.

 

Sher Mohammad Abbas Stanikzai

Mohammad Abbas Stanikzai era ministro talibã até o grupo ter sido afastado do poder. Viveu em Doha durante dez anos e tornou-se líder do gabinete político dos talibãs em 2015.

Também participou em negociações com o governo afegão e representou os radicais em viagens diplomáticas por diferentes países.

É uma das personalidades talibãs que mais aparece pelas ações diplomáticas no exterior e por ter falado em inglês com a imprensa ocidental durante o governo talibã (1996-2001). Stanikzai ocupou diferentes cargos nos Ministérios da Saúde e Relações Exteriores do talibãs.

Abdul Hakim Haqqani

Abdul Hakim Haqqani é o líder da equipa de negociações dos talibãs. Antigo presidente do supremo tribunal talibã, lidera um influente conselho de teólogos e é um dos líderes em quem Akhunzada mais confia.

Leia também:

Rafaela Laja