O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, testou positivo para a infeção com o novo coronavírus. A informação foi dada pelo próprio, de acordo com o jornal O Globo, que avança a notíci. 

Já na segunda-feira, Jair Bolsonaro tinha informado que apresentava alguns sintomas compatíveis com a doença, como febre e dores no corpo e, por isso, decidiu fazer o exame e uma radiografia aos pulmões. Esta terça-feira, o presidente brasileiro vem informar que o teste deu positivo. 

O presidente brasileiro informa ainda que chegou a ter febre de 38 graus, mas que, à noite, a temperatura começou a ceder. Adiantou também que sentiu mal-estar e cansaço, mas que agora está "perfeitamente bem".

Estou bem, estou normal, em comparação a ontem, estou muito bem. Estou até com vontade de fazer uma caminhada, mas, por recomendação médica, não farei", afirmou.

Bolsonaro diz que tomou cloroquina, um medicamento que tem vindo a defender para o tratamento para a Covid-19, apesar de não haver comprovação científica da eficácia do medicamento no combate da doença e de até haver alguns alertas internacionais para os efeitos secundários que pode provocar. 

Jair Bolsonaro tem 65 anos e faz parte da faixa etária considerada por especialistas como grupo de risco.

O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de infetados e de mortos (mais de 1,62 milhões de casos e 65.487 óbitos), só ultrapassado pelos Estados Unidos.

Jair Bolsonaro sempre desvalorizou a dimensão da pandemia, desde que foram detetados os primeiros casos no país, em final de fevereiro, classificando-a de "gripezinha" e indo mesmo contra recomendações internacionais para a prevenção do contágio. Entre essas medidas está o isolamento social, por exemplo, no pico da pandemia, de forma a evitar o alastramento do contágio. 

Além de ser contra o encerramento de estabelecimentos comerciais, Bolsonaro provocou aglomerações ao visitar o comércio de rua em Brasília. Além disso, participou em protestos de apoio ao seu Governo, que juntaram milhares de pessoas nas ruas. 

Em muitas ocasiões públicas não se coibiu de tocar nas pessoas ou de aparecer sem máscara. Aliás, enquanto falava aos jornalistas e comunicava o resultado positivo do teste que realizou, esta terça-feira à tarde, Jair Bolsonaro tirou mesmo a máscara. 

Nos últimos dias, Jair Bolsonaro tem mantido alguns contactos com membros do seu Governo e até contactos diplomáticos. No sábado, juntamente com ministros e um dos filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, participou num almoço promovido pela embaixada dos Estados Unidos no Brasil para comemorar a independência norte-americana. Todos posaram para fotografias sem máscaras e, numa das fotos do evento, Bolsonaro aparece mesmo abraçado ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

A embaixada norte-americana informou que o embaixador Todd Chapman não apresenta sintomas, mas irá realizar os testes. 

Também no sábado, Jair Bolsonaro visitou o Estado de Santa Catarina, fustigado por um ciclone na semana passada. Nos eventos públicos aparece de máscara, mas deixou-se fotografar ao lado de populares, apertou a mão de outros e caminhou lado a lado, sem respeito pela distância de segurança, com vários políticos. 

Já esta segunda-feira, manteve várias reuniões ao longo do dia com ministros, entre os quais, Paulo Guedes (Economia), José Levi (AGU), Braga Netto (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno, que já esteve com Covid-19 e já recuperou.

Manuela Micael