O governo espanhol acaba de decretar o estado de emergência em Madrid, devido ao elevado número de casos de covid-19 e depois de o tribunal ter rejeitado as medidas restritivas impostas a dez municípios da região.

O estado de emergência vai vigorar nos próximos 15 dias, com efeitos imediatos.

A decisão de aprovar o estado de emergência de forma unilateral permite ao governo de Pedro Sánchez impor as medidas restritivas à mobilidade dos cidadãos, como não poderem sair do município de residência exceto para trabalhar ou em outros casos justificados. Se o executivo quiser prolongar este estado terá de pedir ao congresso e a decisão terá de ser aprovada por maioria.

Madrid, apurou o El País, queria mais tempo para avaliar a situação, mas o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse à presidente regional, Isabel Díaz Ayuso, que o conselho científico para a covid-19 declarou o estado de alarme e que, por isso, não havia mais tempo a perder.

O anúncio do estado de emergência surge, também, num dia que é véspera de fim de semana prolongado em Espanha, uma vez que segunda-feira é feriado, com o executivo central a querer evitar que milhares de madrilenos se desloquem para fora da capital.

O autarca de Madrid já reagiu à decisão, considerando que se trata de "uma péssima notícia". "Não é isso que os madrilenos querem nem o que exige a situação sanitária de Madrid", afirmou José Luis Martínez Almeida.

As medidas impostas pelo governo central que foram anuladas pela Justiça alargavam as restrições aos municípios com uma incidência de contágio superior a 500 casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias, com uma percentagem de positividade nos testes de diagnóstico acima de 10%, e uma ocupação de camas nas unidades de cuidados intensivos por doentes covid-19 acima de 35% na comunidade autónoma a que o município pertence.

As restrições proíbem, entre outras coisas, a entrada e saída de pessoas em cada uma das 10 cidades da região de Madrid, incluindo a capital, exceto deslocações "devidamente justificadas", tais como ao médico, ao trabalho, centros educativos, assistência a idosos, menores e dependentes e viagens a bancos, tribunais ou outros organismos públicos.

As reuniões familiares e sociais, a menos que coabitem, são limitadas a seis pessoas e a capacidade máxima dos estabelecimentos comerciais e serviços abertos ao público é reduzida a 50%, devendo fechar o mais tardar até às 22:00 horas.

Para hotéis, restaurantes, cafés e bares a capacidade permitida não pode exceder 50% no interior e 60% no exterior, e o consumo ao balcão é proibido, devendo estar encerrados às 23:00.

Espanha regista um aumento significativo de casos de covid-19. Segundo números oficiais de quinta-feira, 848.324 pessoas foram infetadas no país desde o início da pandemia, 32.688 das quais morreram.

Madrid é a comunidade autónoma com o maior número de novas infeções, com um total para 258.767.

Catarina Machado