A indústria da aviação tem-se tornado mais segura ao longo dos anos, mas são vários os desastres que aconteceram para que erros fatais fossem corrigidos. A queda do avião da Ukrainian Airlines em Teerão levou a TVI24 a revisitar os principais acidentes que envolveram aviões comerciais. As próximas linhas contam a história da morte de milhares de pessoas que, cada uma à sua maneira, desapareceram de forma trágica.

O dia que o mundo não vai esquecer

Perto da hora de almoço (em Lisboa) do dia 11 de setembro de 2001 a população mundial ficou presa aos ecrãs de televisão. No outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, chegavam imagens aterradoras de uma enorme tragédia. Pouco antes das 09:00 locais, o voo número 11 da American Airlines colidia com a torre norte do World Trade Center. Apenas 17 minutos mais tarde, e com as imagens a serem transmitidas em direto, uma segunda aeronave atingia o outro edifício do complexo. O voo número 175, da United Airlines, atingiu a torre sul entre os 77º e o 85º andares.

Noutros dois pontos dos Estados Unidos, mais dois voos foram desviados. Um deles (voo 77 da American Airlines) acabou por colidir com o Pentágono, e o outro caiu num descampado no estado da Pensilvânia. As autoridades acreditam que este último aparelho se dirigia para a Casa Branca, mas a ação heróica dos passageiros do voo 93 da United Airlines evitou um cenário ainda mais desastroso.

A tragédia, que acabou por ser confirmada como um ataque terrorista por parte da al-Qaeda, matou 2.996 pessoas, incluindo os 19 terroristas que desviaram os quatro aviões.

Pode ver a galeria do atentado às Torres Gémeas no topo do artigo.

Conjugação de fatores desastrosa em Tenerife

Este é o maior desastre de sempre da aviação civil, se não contarmos com acidentes relacionados com terrorismo. Uma conjugação de múltiplos fatores fez com que dois voos colidissem na pista do aeroporto de Tenerife, nas Canárias, Espanha.

No dia 27 de março de 1977, tudo começou com uma bomba que explodiu no aeroporto da ilha da Grande Canária. O engenho, colocado por um movimento separatista das ilhas Baleares, não fez vítimas, mas obrigou ao encerramento do terminal durante várias horas. Como consequência, vários voos internacionais foram desviados para o aeroporto internacional mais próximo, o de Tenerife.

A sobrelotação do aeroporto levou, aliada a uma fraca visibilidade, resultou num desastre sem precedentes. Muitos dos voos ficaram no local à espera de autorização para voar para a Grande Canária.

Dois dos aviões em espera eram os aparelhos do modelo 747 das companhias Pan Am e KLM (Estados Unidos e Países Baixos). Na totalidade, as duas aeronaves transportavam 614 pessoas.

O aeroporto de Tenerife não tinha, à altura, mecanismo de radar, pelo que todos os movimentos dos aviões eram feitos com base na comunicação com os pilotos e na visibilidade da torre de controlo. Com a intensificação do nevoeiro, o controlo do tráfego aéreo passou a ter de se guiar exclusivamente pelas comunicações.

Foi dada ordem ao avião da KLM para descolar, sendo que o da Pan Am deveria aguardar na mesma pista. Uma falha de comunicação revelou-se fatal, e o segundo avião acabou por colidir com o holandês. Do desastre resultaram 583 mortos.

A multiplicidade de erros envolvidos no acidente levaram a várias alterações na formação dos pilotos e dos controlos aéreos, sendo que o desastre ainda hoje é referido nos treinos da aviação civil.

Pode ver a galeria deste acidente no topo do artigo.

Quatro pessoas sobreviveram a tragédia no Japão

É o maior acidente de sempre a envolver apenas um avião. O voo 123 da Japan Airlines tinha descolado há 42 minutos do Aeroporto Internacional de Tóquio, quando, de repente, uma súbita descompressão na cabine originou a queda do aparelho. Naquele dia 12 de agosto de 1985, 520 pessoas morreram. Miraculosamente, quatro passageiros sobreviveram para contar a história.

A aeronave tinha como destino a cidade de Osaka, também no Japão, mas acabou por cair perto do Monte Osutaka.

Uma investigação feita pelas autoridades japonesas acabou por concluir que a descompressão foi causada por uma grave falha na manutenção feita pelos técnicos da Boeing.

Segundo o relatório feito pelos analistas, um rombo na fuselagem terá afetado o avião apenas 12 minutos depois da descolagem, causando problemas de pressurização no aparelho. A torre de controlo tentou, por várias vezes, estabelecer contacto com os pilotos da aeronave, assim que percebeu que o indicador de voo apontava para uma perda progressiva da altitude.

A leitura das caixas negras que gravam a conversa no cockpit acabou por levar à conclusão de que os pilotos entraram em hipoxia (baixo teor de oxigénio). O voo acabaria por embater na zona montanhosa às 18:56 locais.

Veja uma simulação do acidente.

Colisão nos céus

A 12 de novembro de 1996, dois voos colidiram em pleno voo. O acidente entre os aviões da Saudi Arabian Airlines (com 312 pessoas) e a Kazakhstan Airlines (37 pessoas) fez 349 mortos. Os destroços espalharam-se na zona de Charkhi Dadri.

O aparelho da companhia aérea saudita vinha do Aeroporto Internacional de Nova Deli, na Índia, que era o destino do voo cazaque.

Após uma investigação feita pelas autoridades, ficou concluído que o acidente se deveu a um erro de compreensão de inglês do voo proveniente do Cazaquistão.

Apesar do desastre, os meios de comunicação indianos revelaram na altura que, se os aviões fossem ocupados na totalidade, outras 150 pessoas poderiam ter perdido a vida.

Pode ver a galeria relacionada com este acidente no topo do artigo.

Maior desastre na Europa continental

Foi durante três anos o acidente mais grave da história da aviação civil, até ao desastre de Tenerife. A queda do avião da Turkish Airlines na floresta de Ermenoville, em França, fez 346 mortos.

O voo fazia a ligação entre Istambul, na Turquia, e Londres, no Reino Unido.

O aparelho tinha uma escala prevista no aeroporto de Orly, em Paris. Depois de aterrar na capital francesa, e uma vez que tinha vários lugares vazios, a Turkish Airlines embarcou 216 passageiros que pretendiam chegar a Londres, mas que estavam a ser afetados por uma greve da British Airways.

O avião ainda estava em fase de subida quando uma súbita descompressão acabou por fazer com que os pilotos perdessem o controlo da aeronave.

Este acidente, ocorrido a 3 de março de 1974, ainda é o maior registado em território europeu continental.