O Prémio Sakharov Pela Defesa da Democracia foi atribuído esta quinta-feira aos membros da oposição democrática da Bielorrússia. No Twitter, o Parlamento Europeu escreve que: "É uma honra anunciar que as mulheres e os homens da oposição democrática na Bielorrússia são os laureados do Prémio Sakharov 2020. Têm do lado deles algo que a violência nunca poderá derrotar: a verdade. Não desistais da vossa luta. Estamos convosco".

A atribuição do galardão acontece dez dias após os chefes da diplomacia da União Europeia declararem sanções contra o presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, reforçando as medidas restritivas adotadas contra repressores das manifestações pacíficas no país.

O prémio Sakharov do Parlamento Europeu premeia todos os anos indivíduos e organizações que se destacam na defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, tendo sido atribuído em 1999 a Xanana Gusmão (Timor-Leste) e em 2001 ao bispo Zacarias Kamwenho (Angola).

No dia 7 de setembro, um total de 663 pessoas foram detidas em Minsk, naquele que foi o maior número de detenções feito numa manifestação de protesto contra os resultados anunciados das eleições presidenciais de 09 de agosto, quando Alexander Lukashenko conquistou um sexto mandato com 80% dos votos, eleições consideradas fraudulentas pela oposição.

Já no dia 4 de outubro, milhares de pessoas voltaram às ruas e enfrentaram ameaças da polícia que respondeu com disparos. O protesto em Minsk resultou em mais de 100 detenções, segundo dados policiais.

A União Europeia (UE) recusa-se a reconhecer os resultados eleitorais de 9 de agosto na Bielorrússia, que deram como vencedor Aleksander Lukashenko, com 80% dos votos, tendo aprovado um pacote de sanções a várias personalidades do regime, incluindo o próprio Lukashenko.

A resistência Bielorrussa tinha o apoio do Partido Popular Europeu (PPE), Renew Europe (RE) e a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (S&D).

A entrega do prémio está prevista para 16 de dezembro, durante a sessão plenária que deverá ocorrer em Estrasburgo, França.

Além da oposição bielorrussa, eram também finalistas a ambientalista hondurenha Berta Cáceres e os ativistas de Guapinol, e o arcebispo de Mossul (Iraque), Najib Mikhael Moussa.

O grupo de ativistas ambientais de Guapinol encontra-se detido pela sua participação num acampamento de protesto pacífico contra uma companhia mineira, cuja atividade provocara a contaminação dos rios Guapinol e San Pedro, na Guatemala.

Berta Cáceres, que englobava a categoria dos ativistas Guapinol, foi assassinada em 2016, nas Honduras, após ter protestado contra a extração ilegal de madeira e a apropriação de terras das populações indígenas.

Já o arcebispo da cidade iraquiana de Mossul, ajudou à retirada de cidadãos cristãos, sírios e caldeus para o território iraquiano reclamado pelos curdos e, desde 1990, contribuiu para a salvaguarda de mais de 800 manuscritos históricos que datam dos séculos XII e XIX.

Henrique Magalhães Claudino / Atualizada às 11:52