O número de mortos provocado pelo tsunami deste sábado à noite na Indónesia já subiu para 222. Há ainda pelo menos 843 pessoas feridas e 28 desaparecidas, de acordo com a Agência Nacional de Gestão de Desastres da Indonésia.

Ainda de acordo com a mesma fonte, o tsunami atingiu sobretudo zonas residenciais e turísticas e destruiu pelo menos 558 casas, danificou pelo menos nove hotéis e 350 barcos. 

Sutopo Purwo Nugroho diz que, apesar de o tsunami ter atingido zonas turísticas, não há registo de estrangeiros entre as vítimas mortais. 

Ainda estamos a recolher informações. Mas a área mais afetada foi o distrito de Pandeglang, ao longo de toda a costa, incluindo zonas residenciais e turísticas na praia de Tanjung Lesung, Lesung, Teluk Lada, Panimbang e Carita", disse o responsável. 

O tsunami foi desencadeado por uma maré anormal associada a um deslizamento submarino causado pela erupção do vulcão Anak Krakatoa. O tsunami atingiu Lampung, Samatra, e as regiões de Serang e Pandeglang, em Java.

"A combinação causou um tsunami repentino que atingiu a costa", segundo a agência. A área mais afetada foi a região de Pandeglang, na província de Banten, em Java, que abrange o Parque Nacional de Ujung Kulon e praias populares, de acordo com as autoridades.

"A agência detetou uma erupção do vulcão Anak Krakatau, cerca das 21:03", adiantou a Agência Meteorológica, Climatológica e Geológica da Indonésia, citada pela CNN. 

A onda gigante atingiu terra 24 minutos depois. 

Nas redes sociais começam a surgir imagens de vídeo amador do momento em que se deu o impacto juntos das pessoas, nomeadamente neste concerto que decorria àquela hora na praia.

As autoridades indonésias confundiram inicialmente o tsunami com uma maré crescente e chegaram a apelar à população para não entrar em pânico, noticiou a agência de notícias France-Presse. "Foi um erro, sentimos muito", escreveu na rede social Twitter o porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Sutopo Purwo Nugroho.

A Indonésia é o quarto país em número de habitantes e também um dos mais castigados por desastres naturais.

A localização geográfica da Indonésia, no Anel de Fogo do Pacífico, e o número de vulcões ativos no país, mais de cem, tornam a nação propensa a grande atividade sísmica, que habitualmente passa despercebida à população.

As autoridades pedem aos habitantes e turistas que se mantenham longe das zonas costeiras, dado que temem novo tsunami.

Só este ano, a Indonésia registou 11 terramotos com vítimas mortais.

Governo português sem conhecimento de vítimas

O Governo português desconhece, para já, qualquer incidente com cidadãos portugueses na Indonésia, na sequência do tsunami de sábado, mas continuará a acompanhar a situação, disse hoje à agência Lusa o secretário de Estado das Comunidades.

As primeiras informações recolhidas não apontaram para a existência de vítimas portuguesas, mas segundo o governante, é ainda “muito prematuro poder falar de forma definitiva”.

As autoridades portuguesas estão em contacto com Jacarta e com a União Europeia, tendo recebido as primeiras informações a meio da noite.

Hoje de manhã contactámos também a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que também não tinha recebido qualquer pedido de ajuda de cidadãos portugueses”, avançou José Luís Carneiro, ao final da manhã.

O Governo português vai continuar a acompanhar a situação, referiu.

Na secção consular da embaixada portuguesa em Jacarta estão inscritos cerca de 200 portugueses, todos na capital ou nas imediações. Não há registo de portugueses nas zonas acidentadas.

No entanto, as pessoas viajam. Os que estão inscritos normalmente são uma pequena parte”, sublinhou.

Papa pede solidariedade à comunidade internacional

O papa Francisco fez hoje um apelo para que não falte solidariedade e apoio da comunidade internacional às populações afetadas pelo tsunami.

O meu pensamento está com a população da Indonésia, atingida por violentas calamidades naturais, que causaram graves perdas humanas, muitos desaparecidos e pessoas sem lar, assim como enormes danos materiais”, disse Francisco após a oração do Angelus, na praça de São Pedro, no Vaticano. "Sinto-me especialmente próximo dos deslocados e de todas as pessoas afetadas. Imploro a Deus que as alivie no sofrimento”, acrescentou Francisco.