Steve Bannon foi libertado sob uma caução de cinco milhões de dólares (cerca de 4,1 milhões de euros), depois de uma audiência que ocorreu esta quinta-feira num tribunal de Nova Iorque, e na qual o antigo conselheiro de Donald Trump se declarou inocente de todas as acusações sobre um alegado esquema fraudulento de desvio de fundos eleitorais.

Segundo a agência Reuters, o antigo homem forte de Donald Trump fica ainda proibido de se deslocar para fora dos Estados Unidos.

Steve Bannon, de 66 anos, declarou-se inocente através de um pedido que deu entrada no tribunal de Manhattan através do seu advogado.

O antigo conselheiro foi detido no estado do Connecticut quando estava a bordo do seu iate

Segundo a acusação, citada pela agência noticiosa Associated Press (AP), o montante desviado da campanha está avaliado em “centenas de milhares de dólares”.

Os procuradores federais alegam que Steve Bannon e três outras pessoas “orquestraram um esquema para defraudar centenas de milhares de doadores” em ligação com a campanha de ‘crowdfunding’ que juntou mais de 25 milhões de dólares (20,99 milhões de euros) para construir um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos com o México.

Em reação a partir da Casa Branca, Donald Trump lamentou o caso, mas apressou-se a afastar-se do suspeito, afirmando que já não lida com Steve Bannon "há anos".

Penso que é um acontecimento triste. Não lido com ele, de todo, há anos, literalmente", afirmou o presidente norte-americano.

Steve Bannon tornou-se na oitava figura ligada a Donald Trump a ser detida ou condenada por um crime, numa lista que também inclui o antigo diretor de campanha do presidente, Paul Manafort, o amigo de longa data Roger Stone, o antigo conselheiro de segurança Michael Flynn e o antigo advogado pessoal Michael Cohen.

Relativamente ao muro, foi uma das grandes promessas da campanha de Trump para as eleições de 2016, mas a ideia acabou por cair em vários locais através de decisões tomadas nos tribunais e no Congresso.

Apesar disso, Donald Trump já viu serem construídos 48 quilómetros da divisão entre os Estados Unidos e o México ao longo do mandato, além de ter reparado outros 386 quilómetros de barreiras pré-existentes ao longo da fronteira, que tem mais de 3.200 quilómetros.

Ao todo, e segundo dados da agência Reuters, contribuíram para a construção do muro mais de 330 mil apoiantes, em dinheiro que terá sido obtido através de doações privadas e em angariações de fundos.

António Guimarães / com Lusa