À medida que se instala o poder talibã no Afeganistão, vão-se sucedendo os episódios de desrespeito pelos direitos das mulheres. Desta vez, foi dito a várias funcionárias do governo de Cabul que ficassem em casa, com a única exceção a ser as trabalhadoras cujos cargos não podem ser desempenhados por homens.

Esta é a mais recente restrição, anunciada este domingo pelo atual presidente da capital afegã.

Este é mais um sinal de que o regime dos talibãs, que tomaram conta do Afeganistão a 15 de agosto, pode vir a voltar-se novamente para uma interpretação mais rígida do Islão, seguindo a Sharia, a lei islâmica, tal como aconteceu entre 1996 e 2001, altura em que o grupo radical governou o país, num período em que o acesso à educação e ao trabalho foi barrado ao sexo feminino.

Apesar das promessas de mudança, a verdade é que o regime recentemente instituído parece estar pouco aberto a isso. Dos mais de 30 ministérios anunciados, nenhum deles é gerido por uma mulher. De resto, a anterior pasta dos Assuntos Femininos foi mesmo substituída por uma chamada Prevenção do Vício e Promoção da Virtude, algo que existiu anteriormente, com os funcionários a serem apelidados de polícia moral.

Nas últimas medidas, às jovens que estudavam no ensino intermédio e secundário foi dito que não podiam frequentar a escola por enquanto, enquanto o ensino superior pode regressar para o sexo feminino, desde que segregado dos homens. Além disso, a veste islâmica deve ser utilizada por todas as mulheres nas instituições de ensino.

Nos primeiros dias de governo talibã ainda se ouviram alguns protestos de mulheres, os quais foram desvanecendo, à medida que a sociedade afegã mergulhava no já esperado retrocesso.

António Guimarães