Quatro suspeitos vão enfrentar acusações de homicídio no caso do avião MH17, da Malaysia Airlines, que foi atingido por um míssil em 2014 e que acabou por cair em território ucraniano. As 298 pessoas a bordo morreram.

Os três russos e um ucraniano vão ser julgados num processo que deve começar em março do próximo do ano, nos Países Baixos, afirmam investigadores internacionais holandeses citados pelo The Guardian.

Quase cinco anos depois do acidente, que aconteceu a 17 de julho de 2014, os procuradores afirmam haver provas suficientes para sustentar as acusações.

Os suspeitos são Igor Girkin, antigo coronel do serviço de espionagem do FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia, Sergey Dubinksy, funcionário dos serviços militares secretos da Rússia, e Oleg Pulatov, ex-soldado das forças especiais do GRU, a agência de serviços secretos militar estrangeira do Estado-Maior das Forças Armadas da Federação Russa. Estes três russos são todos antigos soldados que cumpriram missões no estrangeiro.

O quarto suspeito é o ucraniano Leonid Kharchenko, que liderou uma unidade de combate militar na cidade de Donetsk como comandante.

Girkin foi, na altura do acidente, ministro da Defesa na República Popular de Donetsk, apoiada por Moscovo, enquanto Dubinksy era deputado eleito pelo ministro. Pulatov estava, por sua vez, abaixo de Dubinksy. Kharchenko estava às ordens dos três russos.

Terão sido estes os responsáveis pela aquisição, junto da Rússia, do material para disparar o míssil contra o MH17. Embora não tenham sido eles a pressionar o botão no momento do disparo, são os responsáveis por terem instalado o sistema antiaéreo naquele espaço ucraniano onde o aparelho acabou por cair.

Podem, então, ser acusados criminalmente do homicídio das 298 pessoas a bordo do avião, de acordo com os investigadores.

Mandados de detenção internacionais já foram decretados, com os nomes dos suspeitos em várias listas de busca, afirmou o procurador holandês Fred Westerbeke.

A investigação que levou a estas conclusões passou pelo interrogatório a várias novas testemunhas, análise a imagens de satélite, escutas a chamadas telefónicas e outras informações, num processo em que mais de 50 detetives estiveram envolvidos.

A Rússia nega veementemente qualquer envolvimento no bombardeamento ao MH17. Esta quarta-feira, criticou o facto de ter sido excluída da investigação apesar de estar “proactivamente” a tentar envolver-se.

A nossa posição face a esta investigação é conhecida. A Rússia não teve oportunidade de participar nela, mesmo que tenha mostrado iniciativa desde os primeiros dias desta tragédia”, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin, à imprensa.