Depois de retomadas as buscas, o número de mortos na sequência do rompimento de uma barragem em Brumadinho, Minas Gerais, foi atualizado para 60 mortos. 

O Estadão cita o último balanço do Corpo de Bombeiros que dá conta de 60 vítimas mortais, 292 pessoas desaparecidos e 192 pessoas resgatadas. Foram localizadas com vida 382 pessoas no total, ao quarto dia de operações.

Ontem, domingo, foi encontrado um segundo autocarro com corpos no interior. Nessa altura, a informação era de que já havia "confirmação de que há corpos", mas ainda não quantos ao certo. "É necessário um maquinário pesado", expliccou o tenente Pedro Aihara.

É um trabalho criterioso, não é rápido. Temos dificuldade em aceder alguns locais", disse por sua vez o tenente-coronel Flávio Godinho. 

O refeitório da mineira Vale, o autocarro que transportava funcionários e uma pousada que ficou soterrada são áreas de intervenção prioritárias para os bombeiros. Nesta última há "15 metros de profundidade de lama", segundo o tenente Pedro Aihara.

O mesmo responsável não descarta a possibilidade de resgatar pessoas com vida e deu a garantia de que as buscas vão continuar, mas realça ao mesmo tempo a dificuldade das operações. 

Pancadas de chuva ontem tornaram a lama imperfeita. Quando a lama está molhada, o deslocamento dos cães farejadores fica prejudicado. (...) Todo o dia temos militares com a lama até o pescoço. [Trabalha-se] para resgatar o máximo de corpos possível, [mas] existe a possibilidade de alguns não serem recuperados. (...) Atuamos em dois pontos: um é o de acesso ao ônibus [autocarro], para localizar corpos e outro de uma residência, onde localizamos três corpos".  

As buscas tinham sido suspensas pelo risco que poderia apresentar outra barragem, a número 6, que fica ao lado daquela que rompeu, a número 1.  Teve de ser drenada para evitar novo rompimento. As autoridades garantiram não haver perigo para a população, mas mesmo assim decidiram começar a evacuar aldeias no domingo de manhã.

Ao início da tarde (hora de Lisboa), as autoridades constataram a diminuição do risco e as buscas foram retomadas. 

Entretanto, cerca de 150 elementos das Forças de Defesa de Israel, incluindo médicos e engenheiros, chegaram também este domingo a Minas Gerais para apoiar as operações de resgate.

Entre as vítimas mortais estão os dez funcionários da Vale encontrados dentro de um primeiro autocarro soterrado de lama, esclareceu o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, no último balanço aos jornalistas.

Os bombeiros alargaram, entretanto, os pontos de busca nas áreas mais próximas da mina do Feijão. Isto significa que o trabalho de resgate se pode tornar mais rápido. 

Não é a primeira tragédia

Há quase três anos, uma das barragens da empresa Samarco, controlada pelos acionistas Vale e BHP, rebentou na cidade de Mariana, no estado de Minas Gerais, originando uma torrente de lama que destruiu fauna, flora e construções ao longo de 650 quilómetros.

Este desastre causou 19 mortos, além de ter deixado desalojadas milhares de famílias.

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MBA) considerou que a rotura da barragem em Brumadinho era uma “tragédia anunciada”, referindo que já tinha efetuado diversos alertas.