A Coreia do Norte fez explodir o escritório de ligação com a Coreia do Sul em Kaesong, uma cidade perto da fronteira, aumentando a tensão na península coreana, revelou o Ministério da Unificação em Seul.

A Coreia do Norte explodiu o escritório de ligação de Kaesong, às 14:49" (07:49 em Lisboa), disse o porta-voz do ministério encarregado das relações entre as duas Coreias, em comunicado.

Fotos da Agência de Notícias Yonhap, sul-coreana, mostraram fumo a sair do que parece ser um complexo de edifícios e a agência revelou que a área fazia parte de um parque industrial agora fechado, onde ficava o escritório de ligação.

Coreia do Norte confirma destruição

A Coreia do Norte confirmou a destruição do escritório de ligação como parte da sua decisão de "interromper todas as linhas de comunicação" entre os dois países.

A confirmação foi feita pela agência oficial da Coreia do Norte, a KCNA, poucas horas após a destruição dessa instalação ter sido relatada pela Coreia do Sul.

"O escritório conjunto entre o Norte e o Sul foi completamente destruído hoje, Já interrompemos todas as linhas de comunicação entre as duas partes coreanas", referiu o texto da KCNA.

Segundo a KCNA, a decisão do regime de Pyongyang está em conformidade com as atitudes de "pessoas enfurecidas" e com a intenção de fazê-las "pagar um preço alto pelos seus crimes", uma aparente alusão à Coreia do Sul.

O texto não cita expressamente o motivo, mas a destruição desse escritório, crucial no processo de negociações entre as duas Coreias, ocorre num momento de crescente tensão entre Seul e Pyongyang pelo envio de balões com propaganda de ativistas sul-coreanos contra o líder norte-coreano, Kim Jong Un.

A Coreia do Norte tinha ameaçado demolir o escritório à medida que intensificava a sua retórica sobre o fracasso de Seul em impedir que ativistas usassem panfletos de propaganda através da fronteira.

Alguns especialistas dizem que a Coreia do Norte está a manifestar a sua frustração porque Seul não pode retomar os projetos económicos conjuntos devido a sanções lideradas pelos EUA.

No sábado à noite, Kim Yo Jong, irmã influente do líder da Coreia do Norte, alertou que Seul em breve testemunharia “uma cena trágica do inútil escritório de ligação Norte-Sul (na Coreia do Norte), sendo completamente destruído'', deixando aos militares da Coreia do Norte o direito de dar o próximo passo de retaliação contra a Coreia do Sul.

Em 2018, as Coreias abriram o seu primeiro escritório de contacto em Kaesong, para facilitar uma melhor comunicação e as trocas desde a sua divisão, no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Quando o escritório foi aberto, as relações entre as Coreias floresceram depois de Coreia do Norte ter iniciado negociações sobre o seu programa de armas nucleares.

As forças armadas da Coreia do Norte ameaçaram entretanto voltar às zonas desmilitarizadas sob acordos de paz entre as Coreias. O Estado-Maior General do Exército Popular da Coreia disse que está a analisar uma recomendação do partido no poder para avançar para áreas de fronteira não especificadas que foram desmilitarizadas com os acordos com o Sul, o que “transformaria a linha da frente numa fortaleza”.

Embora não tenha sido imediatamente claro quais as ações que os militares da Coreia do Norte poderiam tomar contra o Sul, o Norte ameaçou abandonar um acordo militar bilateral alcançado em 2018 para reduzir as tensões na fronteira.

As relações entre as Coreias começaram a ficar tensas desde o colapso de uma segunda cimeira entre o líder norte-coreano Kim Jong un e o presidente Donald Trump, no Vietname, no início de 2019.

Esta cimeira falhou por causa de disputas sobre quantas sanções deveriam ser levantadas em troca do desmantelamento do principal complexo nuclear norte-coreano.

Kim Jong un prometeu mais tarde expandir o seu arsenal nuclear, introduzir uma nova arma estratégica e superar as sanções lançadas pelos EUA, que disse sufocarem' a economia do país. 

/ BC