Um enfermeiro de um hospital de Milão, que preferiu ocultar a identidade, contou ao jornal Corriere Della Sera de que forma estão a lidar os hospitais italianos com a pandemia de Covid-19. O cenário traçado é de pessoas a chegarem aos hospitais em estado crítico, com febre que não baixa dos 38.º, com crises de oxigénio.

E não são só os mais velhos, já há pacientes com 30 anos que chegam com crises de oxigénio ao hospital", conta o enfermeiro

No que diz respeito à idade das vítimas, este profissional de saúde conta que a média de idades dos pacientes "baixou nas últimas semanas para os 55/65 anos". O enfermeiro justifica esta média de idade, e os problemas respiratórios como facto de as pessoas ficarem em casa e não saberem quando devem ir aos hospitais.

A população não sabe como a doença evolui e por isso demora a procurar cuidados médicos, há quem chegue com níveis de oxigénio no sangue preocupantes", sublinhou o enfermeiro italiano ao Corriere Della Sera.

Este profissional de saúde conta que todos os dias continuam a chegar pessoas com sintomas e que, apesar da pressão, o hospital continua a ter material médico e oxigénio para responder.

Nos últimos dias chegam cerca de 20 a 25 pessoas por turno, cerca de sete horas, e pelo menos 3 ou 4 já precisam de oxigénio mesmo antes de fazerem o teste", conta o profissional de saúde

Sobre a forma como se está a aguentar psicologicamente revela que já existe uma rotina bem definida no hospital e que vivem como se fossem uma "equipa especial do Ébola", numa alusão à doença que obriga a cuidados ainda mais especiais. Nesta instituição, "já havia uma racionalização dos materiais antes de a situação se ter descontrolada"

O enfermeiro explica ainda que o hospital foi dividido em várias áreas e que a maior é a destinada ao Covid-19 visto que a incidência de outras doenças baixou drásticamante. Sobre a avaliação desta crise o enfermeiro espera que passe rápido e olha para as crianças como esperança.

Vi muitas crianças infetadas, para elas é só uma gripe. Pelo menos elas serão poupadas a esta tragédia", conta o enfermeiro ao jornal italiano.

Neste momento mais de oito mil pessoas já morreram e mais de 72 mil foram infetadas pelo novo coronavírus.