Depois de Itália, Espanha é o país europeu onde a pandemia de Covid-19 está a gerar números mais dramáticos. O número de mortos já ultrapassou a barreira dos 1.000 e o número de infetados ronda agora os 20.000. Nas regiões mais afetadas, a capacidade de resposta do sistema de saúde está a atingir o limite e os médicos preparam-se para tomar decisões difíceis, como a de dar prioridade aos doentes com mais esperança de vida.

De acordo com o que foi divulgado esta sexta-feira pela imprensa, a Sociedade Espanhola de Medicina Intensiva e Unidades Coronárias (Semicyuc, na sigla em espanhol) já elaborou um guia ético para ajudar os médicos a dar prioridade a uns doentes e não a outros, numa altura em que, nas regiões mais afetadas, como é o caso de Madrid, os hospitais estão a ficar saturados.

O texto recomenda que, perante doentes similares, seja dada “prioridade ao que terá maior esperança de vida com qualidade”.

O guia indica que a idade não deve ser um critério único no internamento dos doentes, devendo ser feita uma avaliação global dos problemas clínicos e do historial do paciente.

Por outro lado, o tempo de chegada também não deve ser critério, uma vez que isso pode levar a que outros pacientes, que podem beneficiar mais do internamento, sejam deixados para trás.

Admitir um internamente pode implicar negá-lo a outra pessoa que pode beneficiar mais, pelo que há que evitar que o critério seja admitir primeiro quem chega primeiro", refere o guia.

Assim, isto implica “não internar pessoas nas quais se prevê um benefício mínimo (como em situações de falência múltipla de órgãos, de risco de morte calculado por escalas de gravidade elevada ou de condições de fragilidade avançada)”.

O diretor do Centro de Coordenação de Emergências Sanitárias do Ministério da Saúde espanhol, Fernando Simón, afirmou, aos jornalistas, que os critérios de entrada nos Cuidados Intensivos já são restritivos, mas que, face à “sobrecarga e pressão” que atualmente existe sobre os hospitais, estes critérios preparam-se para ser ainda mais limitados.

As Unidades de Cuidados Intensivos em Espanha contam com cerca de 4.000 camas entre hospitais públicos e privados. O responsável frisou que devido à falta de camas nestas unidades poderão ocorrer “mortes potencialmente evitáveis” e que isso vai ser também influenciado pelas decisões que vão acontecer no sistema de triagem de doentes.

Sofia Santana