Tem 29 anos, é de Seattle, nos Estados Unidos, trabalha na Universidade de Washington, e é a primeira cobaia humana a ser testada com uma vacina contra a Covid-19.

Ian Haydon vai receber cerca de 1.000 dólares, e corre, a partir de agora, vários riscos, nomeadamente reações alérgicas severas e a possibilidade de gerar um filho com malformações, pelo que está impedido de ser pai durante todo o período de testes. Ainda assim, as contra-indicações não o fizeram hesitar.

Sinto-me com sorte em poder ajudar no combate ao novo coronavírus. Sinto que posso fazer parte da história de uma vacina que pode salvar a humanidade" , disse o homem norte-americano à publicação MIT Technology Review Magazine.

O especialista em telecomunicações vai receber a primeira dose da vacina esta quarta-feira, nos próximos meses fará uma série de colheitas sanguíneas, também para partilhar informação genética, sendo-lhe administrada a segunda dose no mês de maio. Nesta fase inicial, o objetivo do teste é perceber se a vacina se é perigosa ou não, e se provoca uma resposta do sistema imunitário.

Ouvi falar deste estudo através de um colega de trabalho. Enviei todas as informações sobre o meu estado de saúde, mas não esperava ter qualquer resposta, até porque existiam milhares de critérios de seleção, porém acabaram por me escolher. Fui visto e analisado, e o estudo foi-me explicado ao detalhe".

Ian junta-se a outros 44 voluntários, que assinaram um consentimento informado de 20 páginas onde, entre muitas outras coisas, está inscrita a possibilidade de o fármaco poder não tornar as cobaias imunes ao vírus.

Em todo o mundo, há muitas vacinas contra a Covid-19 a serem desenvolvidas, contudo a primeira a entrar em fase de testes em humanos é esta, da Moderna Therapeutics, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. A tecnologia da empresa permitiu que que o processo fosse desenvolvido no período de tempo mais curto de sempre.

Emanuel Monteiro