O ministério da Saúde da Alemanha anunciou que a vacina da Astrazeneca deve ser aprovada pela União Europeia  na sexta-feira, avança a agência Reuters.

A notícia surge no mesmo dia em que decorreu uma reunião entre a UE e os executivos da Astrazeneca para clarificar as razões pela qual a farmacêutica não conseguirá cumprir a entrega de todas as doses planeadas para os Estados-membros.

“Depois do anúncio feito pela AstraZeneca, de que haverá uma quebra na distribuição, a comissária europeia [da Saúde] Stella Kyriakides enviou uma carta ontem [domingo] à empresa para solicitar esclarecimentos adicionais”, declarou o porta-voz do executivo comunitário, Stefan De Keersmaecker, falando na conferência de imprensa diária da instituição em Bruxelas.

O porta-voz especificou que, “nessa carta, a comissária pede uma distribuição em linha com o que foi acordado no acordo [de aquisição] e reitera que a capacidade de produção tem de se adequar à conduta dos estudos clínicos para assegurar a disponibilidade das vacinas o mais rapidamente possível”.

“Isto é muito importante para honrar [o cumprimento] do contrato”, insistiu Stefan De Keersmaecker.

O porta-voz adiantou que “esta é uma questão essencial para a Comissão e os Estados-membros e será discutida entre a Comissão, os Estados-membros e a empresa numa reunião por videoconferência que ocorre hoje”, após a qual haverá informação à imprensa.

A farmacêutica disse no dia 22 de janeiro que as remessas para a Europa terão um corte de 60%, para 31 milhões de doses.

"As quantidades previstas inicialmente para entrega na União Europeia não serão cumpridas devido a uma falha na produção em uma fábrica dentro da nossa cadeia de abastecimento na Europa", afirmou um porta-voz da empresa em nota.

O mesmo porta-voz acrescenta que a Astrazeneca, que está a produzir uma vacina contra a covid-19 juntamente com a Universidade de Oxford, garantirá "dezenas de milhões de doses em fevereiro e março", ao mesmo tempo que tentam aumentar o volume de produção.

Já Francisco Ramos, coordenador da taskforce do Plano de Vacinação da covid-19, garantiu que o atraso da vacina AstraZeneca/Oxford não comprometerá a primeira fase do plano português, mas não permitirá antecipá-lo, admitindo uma quebra de 50% do esperado.

Estamos a falar de um atraso superior a 50% daquilo que estava programado [a nível europeu], o que no caso português significaria em vez de 1,4 milhões de doses previstas para fevereiro e março, receber 700 mil doses [da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca]. Ainda é possível que esse número seja revisto em alta. Será discutido na próxima semana a nível europeu”, referiu Francisco Ramos.

O coordenador admitiu “um percalço” com o que era esperado, apontando que “a Astrazeneca, de facto, está com dificuldades em cumprir o calendário de produção”, tendo proposto “nos últimos dias, uma redução muito acentuada de entregas para os próximos dois meses”.

A União Europeia e a EMA estão sob pressão para acelerar a aprovação de novas vacinas contra o novo coronavirus.

A vacina AstraZeneca/Oxford tem a vantagem de ser mais barata a produzir do que as outras. É também mais fácil de armazenar e transportar, em particular quando comparada com a da Pfizer/BioNTech, que deve ser conservada a temperaturas muito baixas (70 graus negativos).

Esta é uma vacina “de vetor viral” que tem como suporte um outro vírus (um adenovírus de chimpanzé) transformado e adaptado para combater o novo coronavirus.