A cerimónia de exumação e trasladação dos restos mortais do ditador espanhol Francisco Franco começou esta quinta-feira, em Espanha. Os restos mortais são exumados do Vale dos Caídos e trasladados para o cemitério El Pardo-Mingorrubio, nos subúrbios da capital espanhola.

O neto do ditador compareceu na cerimónia com uma bandeira pré-constitucional na mão. A família tinha pedido ao governo espanhol para colocar esta bandeira - que tinha sido guardada pela filha do ditador, Carmen Franco, que morreu em dezembro de 2017 - sobre o caixão, mas o executivo recusou.

O governo considerou que a exibição da bandeira num local como o Vale dos Caídos podia constituir uma ofensa às vítimas do regime. De resto, o executivo espanhol proibiu todos os símbolos de exaltação da ditadura durante a exumação. Por isso, os familiares de Franco apenas podem colocar a bandeira sobre o caixão na cerimónia privada no cemitério em El Pardo.

Os restos mortais chegaram ao fim da manhã de quinta-feira de helicóptero a El Pardo, onde a família celebrou uma cerimónia religiosa privada.

Franco foi inumado num jazigo familiar onde já estava enterrada a sua mulher, Carmen Polo, desde 1988.

A transferência de local do corpo foi feita depois de uma batalha jurídica que opôs o Governo do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) à família de Francisco Franco, que pretendia que o corpo do ditador fosse transferido para a catedral de Almudena, no centro de Madrid.

A exumação teria de ser feita com o “máximo de discrição e respeito possível”, num ato “estritamente privado, sem o acesso dos meios de comunicação”, defendeu o executivo socialista há meses.

Para os socialistas, o corpo do ditador também não podia ser transferido para qualquer local onde houvesse a possibilidade de ser “enaltecido ou homenageado”.

Francisco Franco Bahamonde foi um militar espanhol que integrou o golpe de Estado que, em 1936, marcou o início da Guerra Civil Espanhola, tendo exercido desde 1938 o lugar de chefe de Estado, até morrer em 1975, ano em que se iniciou a transição do país para um sistema democrático.

Para prevenir eventuais desacatos, por risco "de elevados problemas de ordem pública", o governo espanhol proibiu uma concentração patrocinada pela Fundação Francisco Franco, que tinha apelado às pessoas para que se desloquem ao cemitério de El Pardo-Mingorrubio.

O pretexto era homenagear “quem tanto fez pela Espanha e pela sua grandeza” e apelou a que se “encha o panteão de flores e orações”.