O ainda presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez esta sexta-feira as primeiras declarações oficiais depois da derrota nas eleições de 3 de novembro, que consagraram Joe Biden como o próximo presidente do país, cargo que deverá assumir a 20 de janeiro.

Numa conferência de imprensa a partir do jardim da Casa Branca, Donald Trump centrou as atenções nas últimas novidades acerca da vacina contra a covid-19 e do plano de ação da sua administração, denominado Warp Speed.

Numa altura em que os Estados Unidos continuam a bater recordes como o país com mais casos confirmados e mais mortes causadas pelo novo coronavírus, Donald Trump prometeu uma vacina "em semanas" para as populações mais vulneráveis, acrescentando que a sua distribuição será feita de forma gratuita.

As "semanas" referidas pelo ainda presidente já vêm sendo mencionadas há muito tempo. A 23 de outubro, data do último debate entre os candidatos presidenciais, já Donald Trump falava num período de "semanas" para a chegada da vacina.

Apesar da garantia do chefe de estado, a agência Associated Press garante que a Administração de Alimentos e Medicamentos ainda não recebeu o pedido necessário para que se possam distribuir vacinas. Além disso, e mesmo perante os últimos resultados da vacina desenvolvida pela farmacêutica Pfizer, não há totais garantias de eficácia junto das populações mais vulneráveis.

Donald Trump falou também do investimento que a sua administração fez na operação Warp Speed e deixou um aviso à Pfizer, que admitiu não pertencer a esta parecia público-privada, iniciada pela administração Trump, para facilitar e acelerar o desenvolvimento, fabricação e distribuição de vacinas, terapêuticas e diagnósticos contra a covid-19.

A Pfizer disse que não pertencia à [Operação]Warp Speed, mas isso foi uma representação infeliz. Eles fazem parte [da parceria], foi por isso que lhes demos os 1,95 mil milhões de dólares [cerca de 1,65 mil milhões de euros] e foi um erro infeliz quando o disseram”, considerou Trump.

Excluindo um cenário de confinamento generalizado enquanto for presidente, Donald Trump pediu aos norte-americanos que fiquem "atentos". Foi neste ponto do discurso que se viu nas palavras do chefe de estado um primeiro sinal para a admissão de uma derrota eleitoral.

Idealmente, não iremos para um confinamento, eu não irei para um confinamento, esta administração não irá para um confinamento. Esperançosamente, o que quer que aconteça no futuro, quem sabe que administração será… Acho que o tempo dirá”, disse.

Nos primeiros comentários, a imprensa americana destacou que foi a primeira vez que Trump não denunciou ilegalidades (não comprovadas) no processo eleitoral e admitiu, até, que pode não ser o vencedor das presidenciais.

Esta sexta-feira foram revelados os últimos resultados das eleições norte-americanas, ficando-se a saber que Joe Biden reuniu 306 delegados do Colégio Eleitoral, quando apenas precisava de 270 para ser eleito presidente.

António Guimarães