Os protestos na Catalunha teimam em não acalmar. As ruas de Barcelona desde terça-feira que passaram a ser autênticos campos de batalha entre manifestantes e a polícia. Esta revolta surgiu depois de o Supremo Tribunal Espanhol ter condenado os nove líderes independentistas a penas entre os nove e os 13 anos de prisão. 

Esta quarta-feira é o terceiro dia de atos de violência que já resultaram em pelo menos 51 detenções, segundo o último balanço, de dados ainda provisórios, fornecido pelo governo espanhol. Nas operações de manutenção de ordem, ficaram feridos, até agora, 72 polícias - 54 regionais e 18 nacionais.

De acordo com a enviada especial da TVI a Barcelona, Margarida Martins, Barcelona acordou calma, pelo menos na região de Ramblas. O mesmo não aconteceu nas imediações da delegação do governo de Madrid, onde os violentos confrontos entre os manifestantes e a polícia se prolongaram até de madrugada.

Um grupo de protestantes de uma ala mais radical criaram o movimento "Tsunami Democrático", com o propósito de reagir às sentenças aplicadas aos políticos independentistas. Entre os milhares de manifestantes, houve grupos que fizeram 157 “barricadas com fogueiras” e quatro carrinhas da polícia regional (Mossos d’Esquadra) foram “inutilizadas”. Queimaram mobiliário urbano e atiraram pedras e petardos contra as autoridades. 

Quanto ao número de manifestantes feridos, o governo espanhol não fez qualquer referência, mas os últimos dados apontavam para mais de uma centena

Nos protestos contra a condenação dos principais dirigentes políticos independentistas da Catalunha foram detidas 29 pessoas na província de Barcelona, 14 na de Tarragona e oito na de Leida.

Apesar desta onda de violência, há quem queira lutar pela independência de forma pacífica. Nesse sentido, esta quarta-feira está também marcada pelo arranque de cinco marchas em direção a Barcelona, de cariz pacífico, que vão assinalar a luta pela independência. Já no final da semana, sexta-feira, está agendada uma greve geral.

Estão ainda a ser resolvidos “problemas de limpeza do asfalto o que irá provocar cortes nas calçadas nas ruas centrais”.

O governo espanhol garantiu que irá manter a segurança na Catalunha apesar do aumento da violência que se tem estado a verificar nas ruas e que, segundo denuncia, são "ações coordenadas" para "acabar com a coexistência".

O Tribunal Supremo espanhol condenou na segunda-feira os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, no caso do ex-vice-presidente do governo catalão.

Assim que foi conhecida a sentença, uma série de grupos de independentistas iniciaram movimentos de protesto em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

A polícia antidistúrbios carregou sobre um grupo que protestava no exterior do aeroporto de Barcelona enquanto outros grupos separatistas incendiaram pneus para impedir a circulação de comboios e alguns bloquearam a circulação rodoviária em estradas da região.

Cláudia Évora