A gestação de substituição é legal na Ucrânia, um negócio em crescimento com clientes de todo o mundo, uma vez que o país é um dos poucos que permite que estrangeiros recorram aos serviços de clínicas especializadas. São casais que não conseguem ter filhos e pagam cerca de 40 mil euros para que uma mulher lhes carregue o bebé durante nove meses. 

Com a pandemia de Covid-19, a grande maioria dos países impôs controlos fronteiriços, o que fez com que cerca de 100 recém-nascidos, nascidos de barrigas de aluguer, estejam agora retidos na Ucrânia, sem que os pais consigam ir buscá-los. 

Lyudmila Denisova, provedora de direitos humanos do parlamento ucraniano, já veio pedir às autoridades uma solução para as crianças, que têm sido cuidadas pelos funcionários das clínicas de reprodução assistida. 

Segundo a Associated Press, o caso tornou-se público quando a Biotexcom, uma das maiores clínicas da Ucrânia a nível de reprodução assistida e gestação de substituição, publicou nas redes sociais imagens dos berços alinhados de dezenas de bebés, divididos em dois quartos do hotel em Kiev onde habitualmente ficam os clientes que recorrem aos serviços da clínica. O objetivo era tranquilizar os pais, mostrando-lhes que as crianças estavam ao cuidado de enfermeiras até que eles os possam ir buscar.

 

Segundo Lyudmila Denisova, só a Biotexcom tem 51 bebés retidos, 15 dos quais estão já ao cuidado dos pais, que conseguiram chegar à Urcrânia mas que já não conseguiram sair do país após o fecho de fronteiras, no passado mês de março. As restrições nas fronteiras deverão continuar pelo menos até ao dia 22 de maio. Segundo a provedora, os pais adotivos das crianças são naturais de 12 países diferentes, incluindo Portugal. Os futuros progenitores vêm ainda de países como a China, Estados Unidos, Itália, Espanha, França, Reino Unido, Alemanha ou México.

A questão ainda não está resolvida, mas estamos a desenvolver um mecanismo para sair desta situaçao", disse Denisova, que se reuniu com representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia na quinta-feira.

 

A proposta de Denisova passa pelo envio de uma carta dos pais para o seu gabinete, que entraria depois em contacto com os Negócios Estrangeiros para obter permissão de entrada na Ucrânia.

Cerca de 100 crianças já estão à espera dos pais em diferentes centros de medicina reprodutiva. Se a quarentena for prolongada, não serão centenas, serão milhares", garante a provedora. 

Bárbara Cruz