O diretor da Cruz Vermelha da Austrália admitiu que a instituição poderá ter de gastar 11 milhões de dólares (cerca de 7 milhões de euros) do total do dinheiro doado à organização em custos administrativos. As declarações caíram mal e geraram críticas, numa altura em que muitas vítimas dos incêndios ainda não receberam qualquer ajuda.

O inferno dos incêndios na Austrália dos últimos meses devastou o país: 29 pessoas morreram, arderam mais de 100.000 quilómetros quadrados de área, mil milhões de animais morreram e mais de 1500 casas foram destruídas.

Várias celebridades como Leonado Dicaprio, Pink, Nicole Kidman e Kylie Minogue doaram milhões de dólares a várias organizações para ajudar as vítimas.

No caso da Cruz Vermelha, cerca de 115 milhões de dólares foram doados à instituição. Mas deste total, cerca de 11 milhões vão diretamente para os custos administrativos. Foi o próprio diretor da instituição, Noel Clements, que o revelou durante o programa “The Today Show”.

Clements explicou que esse dinheiro vai ser usado no processamento de todas as aplicações e pedidos de ajuda, sublinhando que a organização tem equipas a apoiar as vítimas dos incêndios de forma permanente.

Basicamente isto é para o trabalho que estamos a fazer no momento a processar todas as aplicações. É para garantir que cumprimos todos os requisitos legais e para assegurar que podemos processar as aplicações o mais rapidamente possível. (…) Temos equipas a apoiar as pessoas nessas aplicações.”

A Cruz Vermelha tem estado a processar pagamentos de cerca de 10.000 e 20.000 dólares para as vítimas, mas até agora, apenas 700 subvenções foram aprovadas.

O responsável frisou que os voluntários estão a reunir esforços para acelerar os processos, mas que tem havido problemas devido ao facto de muitas áreas serem tão remotas. Por outro lado, disse que é preciso garantir toda a legalidade para que não haja fraudes.

Assegurou que a Cruz Vermelha não vai reter verbas para futuros desastres e que os fundos para incêndios florestais vão chegar às comunidades nos próximos três anos através de vários programas de recuperação.

Mas porque ainda há muitas vítimas dos fogos que perderam tudo e que até agora não receberam qualquer ajuda, a informação de que 11 milhões de dólares doados vão diretamente para custos administrativos caiu mal e gerou críticas.

O deputado Andrew Constance e ministro das Estradas e Transportes do de Nova Gales do Sul acusou a instituição de querer reter dinheiro para aumentar o interesse da sua conta bancária em vez de o dar agora às pessoas.

Os australianos doaram agora para as pessoas receberem ajuda agora, não daqui a três nos”, vincou.