Pelo menos 60 pessoas morreram na noite de sábado na sequência de um incêndio e explosão no hospital Al Jatib, no sudeste de Bagdade, no Iraque.

O anterior número apontava para 24 óbitos na unidade de cuidados intensivos do hospital dedicada a infetados com covid-19.

Segundo a mesma fonte, o incêndio resultou da explosão de cilindros de oxigénio. As mortes aconteceram por asfixia, adiantou.

O incêndio terá tido origem em cilindros de oxigénio "armazenados sem cumprir as condições de segurança”, disseram fontes médicas à agência de notícias France-Presse (AFP).

Durante a noite, quando dezenas de familiares se encontravam ao lado da cama de "30 pacientes nesta unidade de cuidados intensivos" do hospital reservado para os casos mais graves de covid-19, as chamas espalharam-se, relatou uma fonte médica.

Nas redes sociais circulam vídeos que mostram bombeiros a tentarem apagar o incêndio, enquanto doentes e familiares procuram escapar do prédio, localizado na periferia sudeste de Bagdade.

Por sua vez, a agência noticiosa estatal iraquiana, a INA, noticiou que o incêndio pode ter sido provocado por um curto-circuito ou pela explosão de botijas de oxigénio em mau estado.

Mais de 20 equipas de combate a fogos conseguiram apagar as chamas deste "incêndio massivo", segundo a Defesa Civil iraquiana, que informou em nota terem conseguido resgatar cerca de 90 pacientes durante a evacuação do centro.

Na nota acrescenta-se que dezenas de vizinhos ajudaram os pacientes, a maioria idosos e pessoas que estavam ligadas a ventiladores.

A Comissão Pública Iraquiana para os Direitos Humanos pediu ao governo que assumisse a responsabilidade pelo incidente e exigiu a demissão do ministro da Saúde, ao mesmo tempo que recordava as deficiências do sistema de saúde iraquiano, especialmente durante uma situação tão excecional como a pandemia de covid-19.

O governador de Bagdade, Mohammed Jaber, exigiu do Ministério da Saúde uma comissão de inquérito “para que aqueles que não fizeram o seu trabalho sejam levados à Justiça".

O Iraque ultrapassou na quarta-feira um milhão de casos de covid-19, mas, provavelmente por causa de sua população, uma das mais jovens do mundo, regista um número relativamente baixo de mortes.

No total, segundo o Ministério da Saúde, 1.025.288 iraquianos foram infetados desde o início da pandemia, em fevereiro de 2020, dos quais 15.217 morreram.

O Iraque recebeu um total de quase 650.000 doses de diferentes vacinas, quase todas em forma de doação ou por meio do programa internacional Covax, que visa garantir o acesso equitativo às vacinas.

Quase 300 mil pessoas já receberam pelo menos a primeira dose, segundo o Ministério da Saúde, que tenta convencer uma população muito cética em relação à vacina e que evita usar as máscaras desde o início da pandemia.

/ CM