O primeiro-ministro israelita garantiu, neste domingo, que a campanha militar contra o Hamas na Faixa de Gaza, que já matou 192 pessoas, incluindo 58 crianças, vai continuar "com força total".

Numa declaração na televisão israelita, Benjamin Netanyahu afirmou que Israel quer que o Hamas "pague um preço elevado" e argumentou que o objetivo é "devolver paz, segurança e dissuasão" após quase uma semana de combates.

Os bombardeamentos da última madrugada arrasaram três edifícios e fizeram pelo menos 42 mortos, no ataque mais mortífero desde o início da campanha contra o Hamas, na segunda-feira passada.

Bastaram cinco minutos para destruir os três edifícios localizados numa rua central de uma zona residencial. O ministério da Saúde de Gaza afirmou que entre as vítimas mortais estão 16 mulheres e 10 crianças.

No sábado, as forças armadas israelitas afirmaram ter destruído a casa do chefe do Hamas, Yahiyeh Sinwar, num ataque dirigido à cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza.

Entre os alvos destruídos por Israel estão alguns dos maiores edifícios residenciais e de escritórios de Gaza, que os militares alegam que alojavam infraestruturas militares do Hamas.

Um dos edifícios destruídos acolhia as delegações da agência de notícias Associated Press e da cadeia de televisão árabe Al-Jazeera, entre outros órgãos de comunicação social.

A escalada de violência foi desencadeada na parte oriental de Jerusalém no mês passado, quando manifestantes palestinianos se envolveram em confrontos com a polícia por causa de táticas policiais empregues durante o mês do Ramadão.

O centro dos confrontos foi a mesquita de Al-Aqsa, um ponto sensível localizado num local de Jerusalém que é sagrado para muçulmanos e judeus.

Na segunda-feira, o Hamas disparou rockets sobre Israel, desencadeando a resposta militar sobre o território onde vivem mais de dois milhões de palestinianos, alvo de um bloqueio desde que o movimento islamita conquistou o poder.

Chefe militar israelita diz que "sentimento de justiça" norteia ataques

O chefe das forças armadas de Israel considerou hoje que os ataques a Gaza oram conduzidos com "um sentimento de justiça" para proteger os israelitas do Hamas.

Agimos com um sentimento de justiça, com o sentimento de que é a coisa certa, que é o que é necessário fazer para proteger os cidadãos de Israel", afirmou Aviv Kochavi numa declaração após uma reunião com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa, Benny Gantz, os líderes do serviço de segurança interna (Shin Bet), e dos serviços secretos (Mossad).

Kochavi declarou que o Hamas "não calculou bem a amplitude" da retaliação israelita aos ataques com rockets.

Desde segunda-feira, os grupos armados palestinianos coordenados pelo Hamas lançaram cerca de 3.000 rockets contra Israel a partir da Faixa de Gaza.

O exército israelita estima que haverá cerca de 15.000 projéteis no arsenal do Hamas.

Irão acusa Israel de "genocídio e crimes contra humanidade"

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohamad Yavad Zarif, pediu hoje aos países islâmicos para que reconheçam o que disse serem as agressões de Israel contra a população palestiniana como “genocídio e crimes contra a humanidade”.

Os atos criminosos de Israel devem ser reconhecidos como genocídio e crimes contra a humanidade pela legislação interna dos nossos países e nas resoluções da OIC (Organização de Cooperação Islâmica)”, afirmou.

Num discurso na reunião de emergência deste órgão, Zarif instou os Estados-membros a “estender a jurisdição dos seus tribunais nacionais para incluir a acusação de genocídio e crimes contra a humanidade nos territórios palestinianos ocupados”.

Um comité de vigilância profissional e internacional deve ser estabelecido para monitorizar e documentar os crimes de guerra e crimes contra a humanidade perpetrados contra os palestinianos para levar os culpados à justiça", asseverou.

Para conseguir isso e um maior envolvimento da comunidade internacional, Zarif propôs "conceber uma campanha jurídica e política institucionalizada contra o regime do ‘apartheid’ sionista a nível regional e internacional".

O chefe da diplomacia iraniana lamentou que na atual crise "homens, mulheres e crianças inocentes estejam a ser massacrados com as armas mais letais e sofisticadas e as casas a ser demolidas com os seus residentes lá dentro".

Estamos perante violações flagrantes e sistemáticas dos direitos humanos, do direito humanitário e internacional. Não se enganem, Israel só entende a linguagem da resistência e o povo da Palestina tem todo o direito de se defender e desafiar o assédio deste regime racista", vincou.

Na sua opinião, “esses atos de barbárie mostraram, mais uma vez, que o único caminho para a paz na Palestina é a realização de um referendo entre todos os residentes palestinianos, deslocados e refugiados”.

Também hoje o chefe da força externa da Guarda Revolucionária do Irão garantiu ao Hamas e à Jihad Islâmica na Palestina o apoio de Teerão na luta armada contra Israel, segundo a agência estatal iraniana Irna.

Numa entrevista telefónica com o chefe do Hamas, Ishmael Haniyeh, o general Esmail Qaani disse que o Irão "está ao lado da nação palestiniana" e condenou Israel, a quem acusa de agir "violando todas as leis e convenções internacionais”, referiu a Irna.

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