O príncipe André, filho da rainha Isabel II, vai abandonar funções públicas num "futuro próximo" devido ao escândalo em que está envolvido e que o relaciona com Jeffrey Epstein, o multimilionário norte-americano acusado de tráfico sexual de menores que se suicidou na prisão.

Estou, claro, disponível para ajudar qualquer autoridade com as suas investigações se solicitado", informou o príncipe num comunicado divulgado pelo Palácio de Buckingham. 

O filho de Isabel II e irmão do príncipe Carlos, herdeiro do trono britânico, deu uma entrevista no fim de semana passado rejeitando estar envolvido no escândalo sexual e negando ter forçado uma mulher a ter relações sexuais. Numa entrevista à BBC, o príncipe disse que num dos dias apontado pela mulher estava com as filhas e até teve de levar uma delas a uma festa numa pizzaria. A entrevista foi considerada embaraçosa para a família real. 

Segundo o comunicado, o príncipe pediu à rainha a permissão para deixar de ter deveres reais.

"Continuo inequivocamente a arrepender-me da minha associação mal avaliada com Jeffrey Epstein", refere o filho de Isabel II em comunicado. "O suicídio dele deixou muitas questões por responder, em particular para as vítimas, e tenho profunda compreensão por todos aqueles que foram afetados e precisam de alguma forma de conclusão. Só posso esperar que, com o tempo, consigam reconstruir as suas vidas". 

Os especialistas em assuntos reais britânicos consideram que se tratou de um passo significativo do  príncipe, praticamente sem precedentes na era moderna, e que demonstra que a entrevista do príncipe não foi apenas má publicdade para ele, mas que prejudicou toda a instituição que é a família real. 

André rejeitou acusações de abuso e disse que estava com as filhas

Em entrevista à BBC, o príncipe disse que num dos dias apontado pela mulher que o acusa de o forçar a ter relações sexuais estava com as filhas e até teve de levar uma delas a uma festa numa pizzaria.

Virginia Giuffre afirma que foi forçada por Jeffrey Epstein a ter relações sexuais com vários amigos do magnata norte-americano quando era adolescente e um deles foi o príncipe André. Giuffre afirmou que foi obrigada a ter relações sexuais com o filho da rainha Isabel II em três ocasiões: uma vez em Londres, outra em Nova Iorque e uma terceira numa ilha privada de Epstein nas Ilhas Virgens.

Nesta entrevista à BBC, o duque de York afirmou que “tal nunca aconteceu” e que nem sequer se lembra de ter conhecido esta mulher. 

Nunca aconteceu. Nem sequer tenho memórias de alguma vez ter encontrado esta mulher.”

Giuffre afirma que uma dessas relações aconteceu em Londres, a 10 de março de 2001, na casa da socialite britânica Ghislaine Maxwell. Mas André afirma que se lembra bem desse dia: estava em casa com as filhas e até teve de levar uma delas, a princesa Beatrice, a uma festa numa pizzaria.

Eu estava com as crianças. Levei a Beatrice a uma pizzaria para uma festa, deviam ser 16:00 ou 17:00. A duquesa estava fora e nós tínhamos uma regra simples que era quando um estava fora o outro não estava.”

Questionado sobre uma fotografia em que surge ao lado de Giuffre, com o braço à volta da cintura da jovem, o duque disse que não se lembra dessa fotografia ter sido tirada e sugeriu que a imagem tenha sido manipulada.

“As investigações que fizemos” foram incapazes de provar se esta fotografia foi ou não manipulada “porque trata-se de uma fotografia de uma fotografia de uma fotografia”, frisou.