A Administração de Medicamentos e Alimentos (FDA) e o Centro para o Controlo de Doenças (CDC) vão pedir às autoridades que suspendam toda a vacinação contra a covid-19 com a vacina da Johnson & Johnson, depois de terem sido detetados casos de coágulos sanguíneos em pessoas que foram inoculadas com aquele produto.

Peter Marks, da Agência de Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), referiu a existência de um caso fatal, enquanto outra pessoa está em estado crítico. Marks comparou os casos com os coágulos sanguíneos listados como efeito secundário “muito raro” da vacina AstraZeneca contra Covid-19. 

Todos os seis casos foram registados em mulheres entre os 18 e os 48 anos.

Quase sete milhões de pessoas receberam a vacina produzida pela Johnson & Johnson, que é de toma única.

A luta da FDA e do CDC deve agora ser feita ao nível local, uma vez que os reguladores só têm poder de suspender a vacinação nos centros federais, cabendo a cada um dos estados a decisão de suspensão nos centros estaduais.

Ainda assim, esperam os reguladores que as autoridades de saúde locais possam tomar uma medida no mesmo sentido, o que faria com que se interrompesse toda a vacinação com este produto.

Os especialistas da FDA e do CDC vão juntar-se para uma avaliação das possíveis ligações entre as vacinas e os problemas reportados, com o intuito de perceber se a vacina deverá continuar a ser administrada ou se, à semelhança do que agora é feito com a AstraZeneca na Europa, se deverá impor um limite de idade.

Uma decisão oficial sobre a vacina está marcada para esta quarta-feira.

Para o professor da Universidade Nova, Tiago Correia, é necessária "serenidade" para digerir a informação relacionada com este caso. O especialista pede tempo, afirmando que os resultados iniciais foram bastante "promissores".

Eu estava bastante otimista com o facto de esta vacina entrar no nosso plano de vacinação", referiu, pedindo calma.

A vacina da Johnson & Johnson foi a última aprovada pelos Estados Unidos e pela União Europeia. Por cá, e segundo confirmou a TVI, as primeiras 30 mil doses da vacina devem chegar a Portugal na quinta-feira.

Para o nosso país está previsto que cheguem 1,25 milhões de doses até junho.

O problema com a vacina da Johnson & Johnson surge depois de todas as dúvidas com a vacina da AstraZeneca, sendo que, nesse caso, a Agência Europeia do Medicamento confirmou a possibilidade de ligação entre a vacina e os raros casos de coágulos que se verificaram.

Agora, e do outro lado do Atlântico, o problema pode ganhar outra relevância. Sendo das agências mais respeitadas, e perante uma vacina produzida nos Estados Unidos, a decisão da FDA e do CDC pode fazer eco no resto do mundo, levando a uma possível reavaliação da vacina.

António Guimarães