“Não consigo respirar”: estas terão sido as últimas palavras de Jamal Khashoggi, o jornalista saudita que foi morto no interior do consulado do seu país, em Istambul, na Turquia. A informação é avançada pela CNN, que cita uma fonte próxima da investigação, que terá lido a transcrição do registo áudio registada durante a visita do jornalista à embaixada e, consequentemente, do momento da sua morte. Revela ainda que na gravação é possível identificar um dos homens envolvidos no crime.

Segundo conta a televisão norte-americana, Jamal terá percebido que algo não estava bem quando se deparou com Maher Abdulaziz Mutreb, um ex-diplomata e agente das forças de inteligência saudita, e com quem Jamal havia contactado quando trabalhava na embaixada da Arábia Saudita em Londres.

Não podes fazer isso. Há pessoas à minha espera lá fora”, ouve-se o jornalista dizer a Maher. 

A publicação norte-americana revela que no áudio perturbador de sete minutos é possível ouvir-se o corpo de Jamal Khashoggi a ser desmembrado com um serrote. Ouve-se ainda Salah Muhammad al-Tubaiqui, responsável pelo gabinete de medicina forense do Ministério do Interior saudita, a recomendar a quem está na sala que ponha os "auriculares nos ouvidos ou oiçam música como eu".

A transcrição mostra que o Khashoggi repetiu três vezes “não consigo respirar” e as seguintes expressões “grito”, “grito”, “arquejo”, e, por fim, “serra” e “cortar”.

A mesma fonte afirma que, no momento da execução do jornalista, ouve-se Maher a confirmar o crime, dizendo “a coisa está feita, está feita”. A CNN adianta, porém, que a transcrição da gravação áudio não permite perceber o exato momento em que Jamal morre.

De acordo com o canal norte-americano, é claro que a morte do jornalista “não foi uma tentativa falhada” de o apanhar, ao contrário daquilo que foi dito por vários sauditas em que o jornalista tido sido acidentalmente estrangulado. A mesma fonte diz ainda que ele lutou contra um grupo de pessoas determinadas em matá-lo.

Jamal Khashoggi foi morto a 2 de outubro quando foi ao consulado buscar uns papéis que iriam confirmar que era divorciado, já que planeava casar com a namorada turca. O jornalista era um crítico do regime saudita, em especial do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman. Tinha optado por viver nos Estados Unidos e escrevia para o The Washington Post.