A explosão no porto de Beirute criou uma cratera com 43 metros de profundidade, revelou este domingo fonte da segurança libanesa, citando avaliações feitas por especialistas franceses em pirotecnia enviados para o local.

A explosão "causou uma cratera de 43 metros de profundidade", revelou a fonte, citada pela AFP.

A explosão de terça-feira, que provocou mais de 150 mortos, 6.000 feridos e dezenas de desaparecidos, aconteceu num armazém onde, segundo o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, estavam 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas durante seis anos "sem medidas cautelares".

A Fábrica de Explosivos de Moçambique (FEM) confirmou este domingo que encomendou as 2,7 toneladas de nitrato de amónio, salientando que a carga apreendida pelas autoridades libanesas foi substituída por outra remessa. A encomenda foi feita pela FEM, em 2013, à empresa Savaro, da Geórgia, e o local de descarga previsto era o porto da Beira, em Moçambique. No entanto, aquela carga "nunca foi entregue", uma vez que o navio ficou retido em Beirute, por ordem das autoridades locais.

França ofereceu apoio logístico ao Líbano, incluindo para a investigação à explosão, e enviou forças de segurança, equipas de busca e ajuda médica.

O American Institute of Geophysics (USGS), com sede na Virgínia, revelou ter registado a explosão como um terramoto 3,3 na escala Richter.

A ministra da Informação libanesa, Manal Abdel Samad, anunciou este domingo a demissão do cargo, num breve discurso transmitido pela televisão local, e pediu desculpas aos libaneses pelo "enorme desastre" em Beirute. Esta é a primeira baixa no governo libanês após a explosão.

"Após o enorme desastre em Beirute, apresento a minha renúncia [ao cargo] do governo", disse Abdel Samad, num breve discurso, transmitido pela televisão e citado pela AFP.

"Peço desculpas aos libaneses, não correspondemos às vossas expectativas", acrescentou, justificando a decisão com a falha do governo em fazer as reformas necessárias e com a explosão que abalou a capital de Beirute, na terça-feira.

No sábado, milhares de manifestantes libaneses revoltados com a classe política, acusada de corrupção, incompetência e negligência após a explosão, marcharam pelo centro de Beirute e invadiram os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Energia. Acabaram por ser retirados pelo exército.

Guilhotinas em madeira foram instaladas na praça dos Mártires em Beirute, epicentro da contestação iniciada em outubro de 2019, e muitos manifestantes gritaram “vingança, vingança, até à queda do regime”.

Segundo a Cruz Vermelha libanesa, 130 pessoas ficaram feridas nos confrontos entre a polícia e os manifestantes, 28 das quais tiveram de ser transportadas para o hospital.

Este domingo, realiza-se uma videoconferência de doadores para o Líbano, coorganizada pelas Nações Unidas e pela França.

Ainda no final da tarde de sábado, num discurso difundido pela televisão, o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, afirmou que “apenas eleições antecipadas podem permitir uma saída da crise estrutural” e apelou "a todas as partes políticas que se entendam sobre a próxima etapa", afirmando estar "disposto a continuar a assumir (...) responsabilidades durante dois meses até que cheguem a acordo”.

O chefe do governo acrescentou que vai submeter na segunda-feira a sua proposta ao Conselho de Ministros.

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