O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, expressou esta segunda-feira a sua "profunda preocupação" com a repressão policial durante uma vigília em homenagem a Sarah Everard, a jovem supostamente sequestrada e morta por um polícia, em Londres, em 3 de março.

Johnson vai reunir-se hoje com a comissária-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Met ou Scotland Yard), Cressida Dick, que se recusou a renunciar apesar das críticas pelas ações dos seus agentes na repressão de uma vigília que no sábado reuniu principalmente mulheres no bairro londrino de Clapham, onde Everard, de 33 anos, desapareceu.

Imagens veiculadas pelos meios de comunicação e nas redes sociais mostraram como os agentes algemaram e levaram à força alguns dos participantes, após o ato ter sido desautorizado devido à pandemia.

A organização do evento, intitulado “Vamos recuperar estas ruas”, lamentou que a polícia não tenha aceitado a sua proposta inicial de acordar um protocolo que teria garantido o respeito pelas atuais restrições sanitárias.

Johnson presidirá a uma reunião na Unidade de Crime e Justiça do Governo, que, além de Dick, contará com a presença da ministra do Interior, Priti Patel, do ministro da Justiça, Robert Buckland, e do diretor do Procuradoria-Geral do Estado, Max Hill.

Falei com a comissária da polícia metropolitana e ela prometeu rever a forma como a situação foi gerida e o Ministro do Interior também encomendou um relatório" ao órgão de inspeção da polícia, disse o primeiro-ministro.

 

A morte de Sarah Everard deve unir-nos na determinação de acabar com a violência contra mulheres e raparigas e fazer com que todo o sistema de justiça trabalhe para protegê-las e defendê-las”, afirmou.

Após o choque causado pelas imagens da repressão policial, Dick, a primeira mulher a liderar a Scotland Yard, disse que o que aconteceu com Sarah a "horrorizou" e tornou-a "mais determinada" a continuar a liderar a polícia metropolitana.

Embora não tenha criticado os seus agentes, concordou em investigar as suas ações.

O Partido Trabalhista anunciou, entretanto, que votará contra o projeto de lei hoje debatido no Parlamento britânico sobre polícia, crime, sentenças e tribunais, que quer dar mais poderes à polícia na gestão de protestos.

Centenas de pessoas reuniram-se no sábado em Londres numa vigília em memória de Sarah Everard, cujo assassínio gerou uma discussão no Reino Unido em torno da violência contra as mulheres, tendo ocorrido confrontos entre os presentes e a polícia.

As centenas de pessoas que se juntaram em Clapham Common, perto do local onde Sarah Everard foi vista pela última vez com vida, em 03 de março, desafiaram o pedido da polícia para que dispersassem.

O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, criticou a atuação da polícia, numa publicação partilhada na sua conta oficial no Twitter.

Sarah Everard, de 33 anos, tinha visitado amigos em Clapham, no sul de Londres, e estava a regressar a sua casa em Brixton, a cerca de 50 minutos a pé, quando desapareceu por volta das 21:30 do dia 03 de março.

A polícia metropolitana de Londres recebeu mais de 120 telefonemas de pessoas após um apelo público e foi a cerca de 750 casas na área, tendo na terça-feira detido um homem de 48 anos, agente policial membro da unidade responsável pela segurança de representações diplomáticas e políticos.

Inicialmente suspeito de rapto, entretanto foi também acusado de homicídio, depois de, na quarta-feira, os restos mortais de Sarah terem sido encontrados num bosque perto da cidade de Ashford, no sudeste de Londres.

/ CE