Os advogados de defesa do dono do terreno onde o pequeno Julen caiu num furo de prospeção de água alegam que o menino pode ter morrido durante as operações de resgate e não por causa da queda.

Esta hipótese consta no relatório que a defesa apresentou no Tribunal de Instrução número 9 de Málaga, a que o Diário Sur teve acesso.

O relatório destaca que muitas testemunhas declararam ter ouvido a criança a chorar depois de ter caído.

O documento aponta ainda que a criança de dois anos pode ter sobrevivido à queda porque a abertura era muito pequena e a velocidade da descida pode ter sido minimizada pelo impacto do seu corpo contra as paredes do furo.

O relatório destaca que muitas testemunhas declararam ter ouvido a criança a chorar depois de ter caído.

Mas o texto vai mais longe, indicando que “a única coisa que fisicamente pode ter causado as feridas na cabeça e no crânio do menor” foi a picareta usada nos trabalhos de resgate. Recorde-se que esta ferramenta foi usada para retirar a areia que estava sobre o corpo do menino.

Por isso, os advogados solicitaram à juíza que inicie as diligências necessárias para clarificar estes pontos. A defesa pediu, entre outras medidas, que vários bombeiros e guardas civis sejam convocados para testemunhar.

Julen morreu depois da queda neste furo de prospeção de água, de mais de 70 metros em profundidade, no dia 13 de janeiro. Um furo ilegal, num terreno na localidade de Totalán.

O seu corpo foi resgatado sem vida no dia 24 de janeiro.

A autópsia realizada ao corpo do menino descreveu um “traumatismo cranioencefálico grave”, além de vários outros traumatismos no corpo, apontando para que tenha morrido no próprio dia em que caiu.

O delegado do governo da Andaluzia, Alfonso Rodríguez Gómez de Celis, anunciou na semana passada que a autarquia abriu um processo "muito sério" contra o dono do poço para que sejam impostas "sanções relevantes".