A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, declarou hoje que qualquer outro veredicto além da condenação do polícia Derek Chauvin, pelo assassínio de George Floyd, "teria sido uma negação da justiça".

Para as inúmeras vítimas de origem africana e as suas famílias, nos Estados Unidos e em todo o mundo, a luta por justiça continua. A batalha para levar perante a justiça esses casos de uso excessivo da força ou mortes pela polícia e ganhá-los está longe de terminar", acrescentou a alta comissária num comunicado.

Bachelet disse que a impunidade dos polícias que matam e violam os direitos humanos "deve acabar" e acredita que é necessário tomar "medidas robustas para evitar mais mortes arbitrárias".

Como infelizmente vimos nos últimos dias e semanas, as reformas nas forças de ordem nos Estados Unidos não são suficientes para evitar que pessoas de ascendência africana sejam mortas”, Bachelet.

De forma mais ampla, a alta comissária acredita que o caso Floyd mostra "o quanto resta ainda ser feito para repelir o racismo sistémico que atinge as vidas de pessoas de origem africana", referindo que se deve enfrentar este flagelo de forma abrangente.

O Governo e a sociedade devem esforçar-se para "desmantelar o racismo sistémico", insistiu, embora reconheça que os Estados Unidos estão a dar passos importantes para atingir esse objetivo.

“Esses esforços devem ser acelerados e expandidos, e não devem definhar quando a atenção do público mudar para outro lugar”, advertiu.

O ex-agente policial norte-americano Derek Chauvin foi considerado, na terça-feira, culpado de todas as acusações no julgamento do homicídio do afro-americano George Floyd.

Chauvin - que na sala de tribunal ouviu impassível a palavra “culpado” ser pronunciada por três vezes na deliberação dos jurados para os crimes de homicídio em segundo grau, homicídio em terceiro grau e homicídio por negligência – foi levado sob custódia policial, algemado, depois de fazer uma ligeira vénia na direção do juiz.

A pena a que Chauvin irá ser condenado será determinada em sentença judicial, a agendar pelo tribunal do condado de Hennepin, na cidade de Minneapolis.

O crime de homicídio em segundo grau é punível com até 40 anos de prisão, homicídio em terceiro grau com pena máxima de 25 anos, e homicídio por negligência com pena de prisão de até 10 anos.

Como não tem antecedentes criminais, Chauvin só poderá ser condenado a um máximo de 12 anos e meio de prisão por cada uma das duas primeiras acusações e a quatro anos de prisão pela terceira.

As imagens da detenção de Floyd em 25 maio de 2020, com Chauvin a pressionar o pescoço por mais de nove minutos, apesar de o detido gritar “não consigo respirar”, causaram motins nos Estados Unidos no verão passado, com a vítima a tornar-se símbolo da violência policial contra os afro-americanos.

Chauvin declarou-se inocente de todas as acusações.

Os outros três polícias que participaram na detenção - Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao - serão julgados em agosto, acusados de cumplicidade no homicídio.

. / LF