Segue a ferro e fogo a tensão em Espanha. Pelo quarto dia consecutivo, centenas de pessoas saíram à rua para protestarem contra a detenção de Pablo Hasél, rapper que está preso por glorificação do terrorismo e insultos à Casa Real.

Nas ruas, a população pede "liberdade de expressão", mas esta sexta-feira conheceu novos cenários, com vários polícias e populares que estavam contra a manifestação a serem agredidos.

Os manifestantes atiraram pedras e garrafas contra as forças de segurança e outros grupos que contestavam o protesto. Em Barcelona, cidade onde o caos implodiu, pelo menos dois bancos e escritórios foram atacados. Mais a norte, mas também na Catalunha, em Girona, a polícia foi mesmo obrigada a investir.

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O primeiro-ministro espanhol já veio a terreiro condenar a violência que tem marcado estes dias: "A democracia protege a liberdade de expressão, incluindo a expressão dos mais terríveis e absurdos pensamentos, mas a democracia nunca protege a violência".

Durante as três últimas noites, a polícia espanhola utilizou gás lacrimogéneo e balas de borracha em várias cidades, nomeadamente em Barcelona e na capital, Madrid. Em resposta, os manifestantes incendiaram vários contentores e veículos.

Desde que se iniciaram os protestos já foram detidas mais de 60 pessoas. Em Barcelona, uma mulher acabou por perder um olho na sequência dos confrontos, o que levou à abertura de um inquérito para investigar as táticas utilizadas pelos polícias.

António Guimarães