Algumas centenas de camionistas portugueses continuam parados em algumas estradas francesas por causa dos protestos em França contra o aumento das taxas de combustível, disse à Lusa o presidente da Associação Nacional das Transportadoras Portuguesas (ANTP).

“Algumas centenas de camionistas portugueses ainda estão ‘presos’ em várias regiões de França por causa dos protestos dos coletes amarelos. Alguns estão parados por causa de bloqueios ainda existentes e outros por causa de estradas que foram interditadas pelas autoridades devido a danos”, indicou Márcio Lopes.

Os "coletes amarelos" são um movimento cívico criado em França, à margem de partidos e sindicatos, criado espontaneamente nas redes sociais e que está contra o aumento dos impostos dos combustíveis e a diminuição do poder de compra.

De acordo com Márcio Lopes, os "camionistas estão a aguardar que a situação melhore e que lhes sejam fornecidas alternativas para poderem circular".

Quanto aos problemas no setor em Portugal, Márcio Lopes adiantou que a associação continua em negociações com o Governo e ainda hoje vão encontrar-se com o Comité de Transportes em Bruxelas, Bélgica.

As transportadoras portuguesas têm estado em negociações com o Governo [secretaria de Estado das Infraestruturas] para reivindicar o Contrato Coletivo de Trabalho, melhores condições e também o preço dos combustíveis.

A 19 de novembro a ANTP chegou a ponderar avançar com formas de luta na ausência de respostas do executivo.

O fim de semana ficou marcado em França por violentos protestos do movimento dos "coletes amarelos", sobretudo por desacatos em Paris e por atos de vandalismo no Arco do Triunfo. Os últimos dados sobre sábado indicam que 136 mil pessoas se juntaram à mobilização dos "coletes amarelos" e que houve 263 feridos.

No domingo, um condutor motorista morreu em Arles (sudeste de França) depois de embater num veículo pesado numa fila de trânsito provocada por uma coluna de ‘coletes amarelos’.

Este acidente aumentou para três o número de mortes relacionadas com os protestos iniciados há três semanas por pessoas que envergam coletes amarelos florescentes.

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, iniciou hoje uma ronda de reuniões para receber os chefes dos partidos políticos e procurar uma saída para a crise dos "coletes amarelos", que continuam em protesto em diferentes partes do país.