O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, avisou hoje que poderão ser decretadas restrições mais rigorosas em Inglaterra para combater a rápida propagação da covid-19, atribuída à nova variante.

O Reino Unido é um dos países europeus mais atingidos pela covid-19, com 75.024 mortes.

Nas últimas 24 horas, mais de 55 mil pessoas testaram positivo, ultrapassando a barreira das 50 mil pelo sexto dia consecutivo, de acordo com dados oficiais hoje divulgados.

Podemos ter de fazer nas próximas semanas coisas que serão mais difíceis em muitas partes do país", disse Boris Johnson à BBC.

Acrescentou que o encerramento das escolas, uma medida tomada no final de março durante a primeira vaga da pandemia, "é uma dessas coisas".

Embora o líder conservador tenha dito que a educação das crianças é uma "prioridade", salientou a necessidade de reconhecer "o impacto da nova variante do vírus".

Cada uma das quatro nações - Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales - que integram o Reino Unido decide a sua própria estratégia de luta contra o vírus.

No Reino Unido, três quartos da população regressaram ao confinamento e o início do ano escolar foi adiado para alguns alunos, especialmente em Londres e no sudeste de Inglaterra, que são particularmente afetados pelo aumento dos casos.

Em áreas onde as escolas estão abertas, Johnson encorajou os pais a enviarem os filhos à escola, sublinhando que é "seguro".

"O risco para as crianças e os jovens é muito, muito baixo", disse.

A partir de segunda-feira, a vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pelo grupo AstraZeneca será administrada no Reino Unido, com um total de 530.000 doses.

Espera-se que dezenas de milhões de doses estejam disponíveis até ao final de março, tendo o Reino Unido encomendado um total de 100 milhões de doses.

Mais de um milhão de pessoas no Reino Unido já receberam uma dose da vacina da Pfizer/BioNtech, que tem vindo a ser administrada desde 8 de dezembro.

Para ambas as vacinas, é necessária a toma de duas doses.

O governo decidiu alargar a administração da segunda dose de 3 para 12 semanas para assegurar que o maior número possível de pessoas receba a primeira dose, uma decisão que levantou dúvidas da comunidade científica e da Pfizer/BioNtech.

"Cada vez que vacinamos alguém uma segunda vez, não vacinamos outra pessoa pela primeira vez. Isto significa que estamos a perder a oportunidade de reduzir significativamente o risco de as pessoas mais vulneráveis ficarem gravemente doentes de covid-19", justificou Jonathan Van-Tam, vice-chefe médico de Inglaterra em declarações a imprensa.

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