Um misterioso vírus, que já infetou centenas de pessoas e causou vários mortos na China, deixou o mundo em alerta. Já foram registados casos em vários países asiáticos e mais recentemente também nos Estados Unidos. Começam a surgir receios de uma potencial epidemia e a Organização Mundial de Saúde reuniu o comité de emergência. Até ao momento, em Portugal, não existem sinais para alarme, mas a Direção-Geral da Saúde já divulgou uma nota sobre alguns cuidados a ter.

Mas afinal o que é o coronavírus? Como é que se transmite? Que cuidados é preciso ter? Reunimos as informações essenciais sobre o que se sabe, para já, relativamente a esta pneumonia viral.

 

O que é o coronavírus?

O vírus tem a designação 2019-nCoV. Pertence à família dos coronavírus, que se conhece desde meados dos anos 60, mas ainda não tinha sido identificado.

Este vírus origina febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. 

Há já mais de 400 casos de infeção e 17 mortos registados. A primeira morte ocorreu a 11 de janeiro. 

Estes números alimentaram receios sobre uma potencial epidemia, semelhante à da pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou cerca de 800 pessoas em vários países asiáticos como a China. As análises genéticas mostram que este novo vírus é mais próximo do vírus do SARS do que qualquer outro coronavírus humano.

 

Transmite-se entre humanos?

Inicialmente, as autoridades de saúde chegaram a pensar que não havia transmissão entre pessoas, até surgir o primeiro caso de transmissão entre marido e mulher. 

Um especialista do governo chinês em doenças infecciosas informou que foi dado como provado que o vírus é transmissível entre humanos.

A Organização Mundial de Saúde já confirmou que houve “uma transmissão limitada entre seres humanas através do contacto próximo”, mas ainda não há evidência clara de que forma se transmite.

Na segunda-feira, o Centro Europeu de Controlo de Doenças também divulgou que está confirmada a transmissão pessoa a pessoa, mas que ainda é necessária informação adicional para avaliar de modo completo as formas de transmissão deste novo coronavírus.

Filipe Froes esclarece que estes vírus se transmitem geralmente pela via respiratória e afetam sobretudo o trato respiratório, especialmente os pulmões nas formas graves.

O pneumologista e intensivista português entende que, habitualmente, estes vírus vão-se adaptando aos hospedeiros à medida que se transmite. Como tal, para garantirem a sua transmissibilidade tornam-se menos virulentos, sendo portanto menos agressivos. Ou seja, à medida que se aumenta a transmissão, também o vírus torna-se menos violento.

Como começou o surto e que países já foram afetados?

Os cientistas acreditam que a fonte do vírus seja animal e que o surto tenha começado no mercado de alimentos de Wuhan, na China, em meados de dezembro.

A pneumonia viral alastrou-se a outras regiões como Guangdong, Pequim, Xangai e até Macau e Hong Kong.

Entretanto, já foram registados casos de infeção no Japão, na Tailândia, em Taiwan, na Coreia do Sul e mais recentemente nos Estados Unidos.

O surto surge numa altura em que milhões de chineses viajam, por ocasião do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas, que é equivalente ao Natal nos países ocidentais. Segundo o Ministério dos Transportes chinês, o país deve registar um total de três mil milhões de viagens internas durante os próximos 40 dias.

Wuhan é um ponto do país onde se cruzam várias plataformas de transportes. Há quase uma semana as autoridades começaram a usar scanners de temperatura em aeroportos, estações de comboios e autocarros. Pessoas com sinais de febre têm sido registadas, recebido máscaras e sido encaminhadas a hospitais e clínicas

Vários países com ligações aéreas diretas ou indiretas a Wuhan estão a efetuar verificações sistemáticas de passageiros de voos oriundos de áreas consideradas de risco.

Em Macau, as autoridades anunciaram que vão verificar individualmente os passageiros provenientes de Wuhan, "por via aérea, marítima ou terrestre".

Para já, não há registo de casos em Portugal, mas a Direção-Geral da Saúde já fez saber que está a acompanhar a situação.

 

Porque é que muitas destas infeções surgem na China? 

O pneumologista Filipe Froes explica que na China existe ainda uma “proximidade e promiscuidade grande” entre animais e pessoas, com convivência muito próxima e com muitos locais a vender animais vivos para consumo humano.

No caso dos coronavírus, para o vírus passar a barreira da espécie, é necessária uma elevada carga viral e uma grande proximidade entre animais e pessoas.

 

Que cuidados é preciso ter?

Apesar de não haver registo de casos em Portugal, a Direção-Geral da Saúde já fez saber que está a acompanhar a situação e deixou algumas recomendações no seu site sobre cuidados a ter em conta, a saber:

  • Evitar contato próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes;
  • Evitar contato com animais;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Se os viajantes com estadia em Wuhan apresentarem sintomas sugestivos de doença respiratória, durante ou após a viagem, deverão procurar atendimento médico, informando-o sobre a sua história de viagem.

O Governo também alertou esta quarta-feira os portugueses que viagem para a China e zonas próximas que se informem sobre a evolução do vírus, recomendando a turistas e residentes que se registem ou inscrevam no consulado. 

Sofia Santana / com Lusa / atualizada às 15:57