A Suíça rejeitou hoje em referendo a atribuição de um subsídio público aos proprietários de vacas e cabras que decidem não eliminar os chifres desses animais, uma prática generalizada no país que uma iniciativa popular queria mudar.

Com 54% dos votos, o povo suíço rejeitou a proposta de incorporar na Constituição um artigo que obrigaria o Estado a fornecer "apoio financeiro aos proprietários de vacas, cabras e a touros e carneiros reprodutores" que mantivessem os chifres a estes animais, na idade adulta.

A medida, acrescenta a agência de notícias espanhola EFE, deveria fazer parte de um quadro legislativo mais amplo sobre o respeito pelo ambiente e pelos animais.

O referendo de hoje deveu-se ao facto de Armin Capaul, um agricultor e ativista animal, ter reunido as mais de 100 mil assinaturas necessárias para a marcação do referendo.

Capaul não se conformou com o facto de apenas 10% das vacas na Suíça terem chifres, apesar de essa ser a imagem de marca do país, aparecendo nos postais ilustrados, nas embalagens de chocolate, nos emblemas de diversas organizações.

Capaul pôs os pés ao caminho e conseguiu, em 18 meses, reunir as 100 mil assinaturas (119.626, mais precisamente) necessárias para levar a referendo nacional a proposta para que sejam dados subsídios a agricultores que produzam e alimentem vacas com chifres.

Os agricultores cortam os chifres às vacas para reduzirem o espaço que elas ocupam os estábulos, tornando a sua manutenção mais barata, sendo cada vez menos os produtores que respeitam a sua configuração natural.

O Governo suíço, através do seu Conselho Federal, já tinha dito que “se recusava a conceder contribuições específicas, porque não havia nenhum estudo que comprovasse que o bem-estar das vacas ou cabras seja impedido pela ausência dos chifres”.