Depois da rejeição do segundo acordo para o Brexit, o parlamento britânico rejeitoou a saída da União Europeia sem um acordo. Emenda A obteve 312 votos a favor e 308 votos contra, uma diferença de quatro votos.

Esta moção não impede que o Reino Unido saia sem um acordo. Uma das alíneas prevê que a saída pode ser feita sem um acordo se não for alcançado um entendimento entre Londres e Bruxelas até ao dia 29 de março. Tudo isto porque o artigo 50 não foi revogado.

Um dos deputados dos trabalhistas garante que viu Theresa May a dirigir-se para a sala onde se votou uma saída sem acordo. Jess Phillips terá-lhe dito que "é uma desgraça" e espera que já não seja primeira-ministra pela manhãs. 

Os deputados britânicos volta a reunir-se, na quinta-feira, para debater uma extensão do prazo para sair da União Europeia. O adiamento tem que ser aprovado por todos os países da União Europeia.

Em reação às votações, Theresa May garante que a possibilidade de sair sem acordo ainda está em cima da mesa. 

May vai propor nova votação do acordo de saída até 20 de março

A primeira-ministra britânica vai submeter na quinta-feira a votação no Parlamento uma moção propondo realizar até 20 de março uma nova votação do Acordo de Saída da União Europeia que negociou com Bruxelas, anunciou esta quarta-feira o Governo britânico.

Este acordo, concluído no fim de novembro após 17 meses de negociações, já foi duas vezes chumbado pelos deputados britânicos.

Se for adotado desta vez, May pedirá aos dirigentes europeus um pequeno adiamento do Brexit, inicialmente marcado para 29 de março, até 30 de junho.

Se o texto for novamente rejeitado pela Câmara dos Comuns, então o adiamento da saída do Reino Unido do bloco comunitário deverá prolongar-se para lá de 30 de junho e implicará que o país realize eleições europeias em maio, precisa a moção.

Depois de o Parlamento britânico ter rejeitado esta quarta-feira a saída da UE sem acordo com Bruxelas “em qualquer momento e em qualquer circunstância”, May advertiu os deputados de que a ausência de acordo de divórcio com a União Europeia poderá exigir um adiamento de longa duração do ‘Brexit’.

Só será oferecida uma curta extensão técnica se tivermos um acordo”, disse May aos deputados britânicos, após a votação, acrescentando que será necessária “uma extensão bastante mais longa” e a realização de eleições europeias no Reino Unido, depois de a Câmara dos Comuns ter rejeitado hoje à noite uma saída sem acordo e, um dia antes, o acordo de divórcio do bloco comunitário que a chefe do Governo concluiu com Bruxelas.

A diferença entre o Acordo de Saída negociado por May com a UE e a moção aprovada esta quarta-feira pelos deputados britânicos é que o texto proposto pelo Governo excluía uma saída sem acordo mas só na data marcada, 29 de março, ou seja, não retirava definitivamente uma saída em situação de ‘no deal’ (sem acordo) de cima da mesa. Já a moção aprovada esta quarta-feira, embora não vinculativa, prevê que não haverá saída sem acordo “em qualquer momento e em qualquer circunstância”.

Afastar cenário de saída sem acordo “não é suficiente” para Bruxelas

A Comissão Europeia defendeu esta quarta-feira que rejeitar uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia não é suficiente, alertando o parlamento britânico para a necessidade de aceitar o Acordo de Saída firmado entre Bruxelas e Londres.

Tomámos nota da votação que decorreu esta noite na Câmara dos Comuns. Há apenas duas formas de sair da União Europeia (UE): com ou sem acordo. A UE está preparada para os dois [cenários]”, começa por referir um porta-voz do executivo comunitário, numa curta declaração enviada à Agência Lusa.

Para a Comissão Europeia, afastar o cenário de uma saída sem acordo “não é suficiente”, pois a Câmara dos Comuns tem de “concordar com um acordo”.

Firmámos um Acordo [de Saída] com a primeira-ministra e a UE está pronta para assiná-lo”, vinca Bruxelas na nota.

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