As forças especiais de Nicolás Maduro terão cercado a casa do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, onde se encontra a mulher e a filha bebé. Guaidó diz temer pela segurança da família.

De acordo com Judite Sousa, a enviada especial da TVI a Caracas, Juan Guaidó afirmou publicamente, na Faculdade de Ciências Económicas e Sociais da capital venezuelana, que "receia pela segurança da família" e que responsabilizará o Presidente Nicolás Maduro se alguma coisa lhe acontecer.

Neste momento, a FAES (Força de Ação Especial da Polícia Bolivariana) está em minha casa, na minha residência familiar. Responsabilizo o cidadão Nicolás Maduro pela integridade da minha filha, que lá se encontra”, afirmou Juan Guaidó.

Guaidó terá dito ainda, perante milhares de pessoas, numa sessão pública que durou cerca de cinco horas, "que a polícia cercou a casa".

A seguir, num discurso em Caracas, Guaidó partilhou com os apoiantes: “A FAES está em minha casa, a perguntar onde está Fabiana (a sua mulher). Neste preciso momento, a ditadura pensa que vai conseguir intimidar-nos”.

Juan Guaidó deslocou-se depois ao seu domicílio e constatou que os agentes já tinham abandonado o local, sem conseguirem o que queriam: interrogar a mulher.

Estão evidentemente a medir a capacidade de reação, e, novamente, o joguinho está a dar errado”, disse Guaidó, afirmando que tinha sido alertado pelos seus vizinhos, aos quais agradeceu.

Assediam a minha família, porque sabemos que é esse o ‘modus operandi’", acrescentou o líder da oposição venezuelana, que também informou que na sua casa estavam apenas a sua filha de 20 meses e uma das avós da criança.

O político acrescentou que os agentes, que chegaram ao local em motocicletas e numa carrinha, identificaram-se como membros das FAES e pediram para falar com Fabiana Rosales, que acompanhava o marido numa ação em Caracas.

O presidente interino admitiu pedir "o mais brevemente possível, ajuda humanitária internacional".

O pedido de ajuda humanitária internacional surge na sequência da grave crise económica e alimentar que se sente neste momento naquele país da América Latina onde, agora, o salário mínimo é de seis dólares.

A crise política na Venezuela agravou-se há uma semana, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, chefe de Estado desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento, maioritariamente da oposição, como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.

A União Europeia fez um ultimato a Maduro para convocar eleições nos próximos dias, prazo que Espanha, Portugal, França, Alemanha e Reino Unido indicaram ser de oito dias (a contar desde sábado passado), findo o qual os 28 reconhecem a autoridade de Juan Guaidó e da Assembleia Nacional para liderar o processo eleitoral.

Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.