A Ucrânia acaba de suspender todos os voos para a Bielorrússia ou com passagem pelo espaço aéreo bielorrusso.

A ordem foi dada nesta segunda-feira pelo presidente Volodymyr Zelensky.

O presidente instruiu o governo a elaborar uma decisão sobre o encerramento dos voos diretos entre a Ucrânia e a República da Bielorrússia", consta de uma nota da presidência, que também inclui nesta decisão a suspensão de voos sobre o espaço aéreo bielorrusso.

Em causa está o desvio para o aeroporto de Minsk, na Bielorrússia, de um voo comercial da Ryanair, que partiu de Atenas, na Grécia, com destino a Vilnius, na Lituânia, para detenção do jornalista Roman Protasevich.

Roman Protasevich, cujo canal Nexta na rede social Telegram se tornou a principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020, seguia naquele voo e acabou detido pelas autoridades bielorrussas.

A companhia aérea irlandesa disse hoje que a tripulação do avião recebeu um aviso de ameaça à segurança a bordo antes de o aparelho ser desviado para Minsk, mas que nada foi encontrado após o avião aterrar na capital bielorrussa.

Assim que o avião pousou no aeroporto de Minsk, os passageiros foram obrigados a um controlo, durante o qual o jornalista foi detido. O avião seguiu depois para o seu destino, Lituânia, sem o jornalista.

A prisão de Roman Protasevich gerou indignação nos países ocidentais, com a NATO e a União Europeia a levantarem a ameaça de novas sanções contra a Bielorrússia. A França sugeriu já uma "proibição do espaço aéreo" da Bielorrússia.

Os chefes de Estado e de governo da União Europeia devem analisar hoje a possibilidade de novas sanções contra o regime autoritário de Minsk como reação ao desvio do avião.

Perante um vasto movimento de protesto contra a sua reeleição considerada fraudulenta em agosto de 2020, Lukashenko orquestrou uma campanha de repressão contra a oposição e os meios de comunicação independentes do país.

Desde o início dos protestos na antiga república soviética, centenas de jornalistas foram detidos e quase 20 estão ainda presos.

Catarina Machado