Em declarações aos jornalista, e já depois do chumbo do Orçamento do Estado, Rui Rio considerou que o primeiro-ministro se deveria ter demitido, porque o país ficou numa situação de ingonvernabilidade e é preciso acelerar o processo de convocação de eleições.

Sim, acho que o primeiro-ministro se deveria ter demitido por uma razão simples. Obviamente que nós ficámos numa situação de ingovernabilidade, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista orçamental", defendeu. 

O presidente do PSD disse que essa decisão aceleraria um processo de convocação de eleições antecipadas, que "tem de ser rápido", e entende que a "segunda quinzena de janeiro já é tarde demais". 

Considerando que temos o Natal, e não se pode marcar eleições para 25, 26 ou 27 de dezembro, a partir daí deve ser, em minha opinião, o mais rapidamente possível. (...) Em janeiro e rápido." 

Rio considerou ainda que preferia o chumbo deste orçamento, do que a sua viabilização na votação final global "com os após que o PCP e o Bloco de Esquerda queriam dar."

Questionado sobre o facto de o primeiro-ministro ter dito, no discurso de encerramento, que "a direita fechou para obras" e não ser uma solução governativa para o país, Rio foi taxativo a dizer que essa afirmação não era para o PSD. 

O senhor primeiro-ministro quando refere que a direita está para obras, não está seguramente, penso eu, a referir-se a um PSD perfeitamente estabilizado no dia 26 de setembro. O PSD saiu das eleições autárquicas em crescendo e o PS saiu a descer. Portanto, a partir daí, o PSD estava em excelentes condições de disputar eleições legislativas, claramente para ganhar", garantiu. 

Rio defendeu ainda que o PSD tem “um líder e esse líder está estabilizado durante o mandato”, referindo-se a si próprio.

"Eu avisei no Conselho Nacional que isto podia acontecer"

Rui Rio não quis comentar as eleições internas do PSD, que estão marcadas para 4 de dezembro, mas voltou a dizer que avisou "quem quis ouvir". 

Eu avisei no Conselho Nacional que isto podia acontecer", reafirmou.

 

Obviamente que agora estamos numa situação difícil. Aconteceu aquilo que eu temia que podia acontecer", acrescentou. 

Em 14 de outubro, o Conselho Nacional do PSD marcou diretas para a liderança do partido e o Congresso para entre 14 e 16 de janeiro, um calendário inicialmente proposto pela direção, mas que, na véspera, defendeu o adiamento da marcação de eleições internas perante a ameaça de crise política, uma proposta que foi rejeitada.

No dia seguinte, apresentou-se publicamente como candidato à presidência do PSD o eurodeputado Paulo Rangel e, uma semana depois, o atual presidente Rui Rio.

Rio volta a criticar ida de Rangel a Belém

Já não é a primeira vez que o ainda presidente do PSD critica o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter recebido o candidato Paulo Rangel, em Belém, com o propósito de se falar sobre as possíveis datas para as eleições antecipadas. Mas esclareceu esta quarta-feira que a questão não passa por quem se recebe, mas o momento em que se recebe. 

O senhor Presidente da República pode receber quem quer, isso é evidente. Agora, o momento em que se recebe é que tem significado e acho que ele deve atender a isso."

 

O mais grave foram as notícias que saíram que, daquela reunião, terá saído o compromisso de empurrar as legislativas lá para a frente porque isso dava jeito a um dos potenciais candidatos à liderança do PSD e isso é que não é aceitável”, afirmou.

E acrescentou: “Se o Presidente entretanto disse, não sei se disse, que isso não é verdade, que não vai marcar eleições lá para segunda quinzena de janeiro só para satisfazer quem quer que seja, então ainda bem”.

Rui Rio espera ver esta situação resolvida nos próximos dias, quando for recebido no Palácio de Belém. 

Cláudia Évora