Os candidatos presidenciais Marisa Matias e Vitorino Silva lançaram esta terça-feira críticas a Marcelo Rebelo de Sousa, apontando-lhe “esperteza a mais” ou lamentando os “bloqueios à esquerda”, num debate em tom ameno, sem divergências de fundo.

Marisa fez um balanço negativo ao mandato do Presidente da República recandidato, alegando que foi um "bloqueio" aos entendimentos de Esquerda. Apesar de recusar fazer "futurologia", a candidata acredita que este bloqueio poderá manter-se num segundo mandato.

Claro que eu considero que foi mais negativo, que positivo. Essa é uma das razões pelas quais me apresento", disse Marisa.

Marisa Matias recordou as “posições antagónicas” com Marcelo em relação ao Banif e ao Novo Banco, vincando que o país precisa de um Presidente que “contrarie os bloqueios em relação às respostas que precisamos para a crise” e não “alguém que ajude a manter os bloqueios ou que ainda acrescente bloqueios aos que já existem”.

Também Vitorino Silva criticou Marcelo Rebelo de Sousa e atirou que este e António Costa "andaram a este tempo todo a embalar um ao outro".

Costa sabe que precisava de Marcelo e o Marcelo precisava de António Costa. Já são grandes demais para se andarem a embalar", constatou Vitorino.

O candidato de Rans acredita num segundo mandato de Marcelo "muito diferente" porque vai deixar de precisar do apoio do primeiro-ministro.

O Marcelo fez coisas muito bem e outras coisas esteve distraído. (...) às vezes pôs a esperteza à frente da inteligência. A esperteza tem de ser o tempero", atirou, confiante que tem a certeza que Marcelo sabia tudo sobre Tancos.

Sobre a atuação do atual Presidente no início da pandemia de covid-19, Vitorino disse que Marcelo "fez um espetáculo na varanda" quando ficou em confinamento.

O nosso Presidente às vezes apalhaçou as funções do Estado. O povo não se revê na maneira de Marcelo ter atuado em parte do seu mandato", concluiu.

Marisa desvaloriza sondagens. Vitorino questiona-as

Quando questionada sobre se está a correr alguma coisa mal nesta campanha às Presidenciais, uma vez que as sondagens a colocam em quinto lugar, Marisa disse que não desvaloriza quem as faz, mas os resultados finais é que devem ser avaliados.  

Já Vitorino Silva diz que não acredita em sondagens e questiona: "Quem faz as sondagens?". O candidato diz acreditar apenas no voto do povo porque, na única sondagem onde apareceu, não lhe eram atribuídos quaisquer votos nem no Porto, nem de mulheres.

Alguém acredita que eu arranjei 7.000 assinaturas no Porto e não tenha votos onde tenho o meu bastião? Alguém acredita que eu não tenho votos de mulheres? Alguém acredita que a minha filha e a minha mulher não votam em mim?, questionou.

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Rafaela Laja