No primeiro desafio autárquico desde a fundação do partido, André Ventura falhou o terceiro lugar em número de votos, sendo que os grandes partidos autárquicos mantiveram-se firmes no pódio eleitoral.

Ainda assim, o Chega teve uma expressão eleitoral muito superior àquela do Bloco de Esquerda, que apenas conseguiu 2,70% do total de votos. Uma rivalidade evidente no discurso que deu em Braga, afirmando ter “esmagado”, lembrando que os bloquistas "no seu melhor tempo" tiveram 12 mandatos autárquicos e que o Chega conseguiu mais de 15 nas primeiras eleições autárquicas em que participou.

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Comparando com o CDS, os resultados permitem diferentes leituras. Por um lado, o CDS viu frutos nas várias alianças que produziu no poder local que, apenas com o PSD, lhe garantiram 10.84% do total de votos. Contudo, o Chega surge como quarta força política se não se observarem as vitórias e os objetivos cumpridos em coligação.

Mas a meta de ultrapassar a CDU, que atingiu 8.19% a nível nacional, ficou bastante aquém. O Chega fica-se pelos 4.15%, quase metade daquilo conquistado pelos comunistas.

Contudo, a estreia da direita radical não passou despercebida. O Chega passa a ter implantação nacional, numa gestão que vai das Regiões Autónomas a Faro, passando por Bragança. 

Nestas eleições autárquicas, o Chega consegue eleger - de acordo com dados até às 4:20 horas desta segunda-feira - 19 vereadores nos concelhos de Vila Verde, Mangualde , Santarém, Salvaterra de Magos, Azambuja, Benavente, Entroncamento, Vila Franca de Xira, Odivelas, Sintra, Loures, Cascais, Seixal, Moita, Sesimbra, Serpa, Loulé, Portimão e Moura.

Em Moura, que se começa a destacar como bastião do Chega, André Ventura falhou a conquista da liderança da Assembleia Municipal, a que se candidatou como cabeça de lista.

Já na capital, a escolha de Nuno Graciano não deu frutos ao líder do Chega que definiu para aqui um objetivo mínimo de eleger um vereador. O antigo apresentador só conseguiu 4.15% em Lisboa, menos do que a Iniciativa Liberal (4.36%) e do que o Bloco de Esquerda (6.19%). 

Não atingindo o objetivo partidário, Ventura mostrou-se feliz com a eleição de Carlos Moedas para presidente da Câmara Municipal de Lisboa. “Estou muito feliz, quer dizer que há menos um socialista em Portugal a governar uma câmara municipal”, disse.

 “Fernando Medina é o delfim de António Costa, Fernando Medina é o putativo sucessor de António Costa e no que depender de André Ventura, tudo farei para derrubar Fernando Medina em Lisboa e em qualquer outra parte do país”, garantiu.

Sobre se fará acordos nas autarquias para as quais elegeu vereadores, o líder do Chega garantiu que “não será muleta de ninguém” e que se “não quiseram antes” o Chega “não o quer depois”.

“Não haverá nenhum acordo autárquico entre PSD e Chega, não haverá nenhuma plataforma de entendimento enquanto isso não acontecer a nível nacional. Nós não estamos à venda”, afirmou.

“Queria ficar em terceiro lugar, não consegui, assumo essa responsabilidade, é o que eu chamaria uma vitória que não foi total, queiramos ficar em terceiro lugar”, admitiu no discurso que fez durante a noite eleitoral em Braga. Ainda assim, elogiou um marco histórico.

"A partir de amanhã os nossos adversários sabem uma coisa, sabem que enfrentarem-nos é enfrentar um enorme bloco de cimento, uma força gigantesca implementada na grande maioria das autarquias e Portugal”, afirmou.

Assinalou ainda que o resultado autárquico mostra que os portugueses não aceitam, não aceitaram e não compreenderão um Governo sem o Chega”.