António Costa diz que "não há plano" que salve o país da "dor" provocada pela pandemia de Covid-19 e que esta crise económica e social "está a doer e vai doer". Mas agora, é preciso "estancar a hemorragia". As palavras foram ditas esta quinta-feira numa grande entrevista no Jornal das 8, da TVI, na qual o primeiro-ministro falou sobre o Programa de Estabilização Económica e Socialum plano aprovado esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, que vai vigorar até ao fim do ano e que enquadrará o futuro Orçamento Suplementar.

Não há plano que nos salve da dor, esta crise está a doer e vai doer. Mas esta é a fase de estancar a hemorragia."

Numa entrevista conduzida por Sérgio Figueiredo e José Alberto Carvalho, o chefe do Executivo socialista começou por dizer que esta pandemia "foi um choque brutal, foi como o céu tivesse desabado” e que o plano esta quinta-feira aprovado "é fundamental para estabilizarmos até ao final do ano as expectativas" das empresas e das famílias.

O primeiro-ministro lembrou que "em dois meses aumentaram em 100.000 o número de desempregados em Portugal" e admitiu um “cenário muito negro” em 2021 com uma recessão de 6,9% e uma taxa de desemprego de 10% em consequência da crise.

No entanto, frisou, esta é a fase em que é importante fazer um "esforço de estabilização dos rendimentos" "procurar manter as empresas vivas".

Questionado sobre o lay-off simplificado, Costa afirmou que na primeira fase 100.000 empresas aderiram a este regime, abrangendo um total de cerca de 840 mil trabalhadores, e que agora o número desceu para cerca de 70.000 empresas - cerca de 600 mil trabalhadores.

Na prorrogação baixou muito o número de empresas que requereram. Estávamos com mais de 100.000 empresas, baixámos para cerca de 70.000 empresas. Não temos ainda apurado o universo de pessoas mas eu diria que dos 840.000 baixámos para cerca de 600.000. E é preciso manter esta tendência."

O chefe do Governo destacou que "houve um grande sacrifício dos trabalhadores" porque "perder um terço do vencimento é muito".

Por outro lado, Costa anunciou que já tem uma “aprovação provisória” para a criação de um Banco de Fomento para auxiliar no financiamento às empresas. Uma instituição que será importante, admitiu, para “canalizar fundos públicos ou de bancos de investimentos” para o tecido económico.

O primeiro-ministro deixou a garantia de que o Orçamento Suplementar, que será apresentado na terça-feira, não adia medidas do Orçamento do Estado de 2020 nem recua em nenhuma medida adotada nos últimos cinco anos. 

O Orçamento Suplementar não adia nenhuma das medidas do OE de 2020 nem recua em nenhuma das medidas adotadas nos últimos cinco anos."

O país tem "mais margem", vincou, lembrando que "a União Europeia flexibilizou a aplicação do Pacto de Estabilidade e reforçou os recursos de financiamentos". E insistiu na ideia de "estancar a hemorragia" para que na fase de "relançamento da economia", expectavelmente no próximo ano, o país tenha o "músculo necessário" para o efeito.

Já sobre o problema do grande número de novos casos de Covid-19 que se tem registado na região de Lisboa e Vale do Tejo, Costa disse que os surtos estão centrados "em cinco concelhos mais populosos" e não estão relacionados com bairros, mas com a atividade profissional. O primeiro-ministro também rejeitou a colocação de cercas sanitárias nestes concelhos.

Houve ainda tempo para abordar o assunto Mário Centeno, e a sua hipotética saída do Governo, que tanto tem agitado a agenda política socialista nos últimos dias. Questionado, Costa fugiu ao cerne da pergunta, afirmando que "todos estamos a prazo na vida". 

Todos nós estamos a prazo na vida a partir do momento em que nascemos e todos nós estamos a prazo nas funções que exercemos até as deixarmos de exercer.”

Assegurou, todavia, que "nunca haverá uma mudança no Governo que seja secreta". "Se um dia houver uma remodelação isso não há-de ser segredo", rematou.  

Sofia Santana / atualizada às 23:01