O secretário de Estado Adjunto e da Saúde admitiu, em entrevista à TVI24, que possa resultar do Conselho de Ministros, desta sexta-feira, um alívio das medidas impostas pela covid-19.

António Lacerda Sales disse que a convocação desta reunião extraordinária "é um bom indicador", uma vez que Portugal atingiu antecipadamente a meta dos 70% da população com o esquema vacinal completo

Estamos numa fase de transição e é esse o objetivo, fazermos essa transição para normalizarmos a nossa vida. E sim claro, há um conjunto de medidas que todos conhecem, que tem a ver com lotações em restaurantes, em espaços fechados, com transportes públicos, (...) que poderão ser antecipadas". 

Sobre a possível queda da obrigação de uso da máscara no exterior, o governante não quis responder, dizendo apenas que essa "é uma lei da Assembleia da República" que está em vigência até 12 de setembro e, por isso mesmo "teremos de esperar". Ainda assim, deixou um apelo ao bom senso e à "maturidade cívica"

No entanto, eu diria que mesmo depois desta data, há aqui uma questão de bom senso de cada um de nós e da consciência da maturidade cívica que a população tem demonstrado em todo este processo, em que em grandes aglomerados, ou espaços fechados, muitos de nós quereremos continuar a usar a máscara, que não acontecerá com certeza se estivermos ao ar livre, distanciados." 

Terceira dose: "Não há um consenso nem a nível nacional, nem a nível internacional"

Discute-se, não só em Portugal, a administração da terceira dose da covid-19. Existem países, como Israel, que já estão a fazê-lo há várias semanas. O governo dos Estados Unidos quer começar em setembro, abrangendo os que receberam a segunda oito meses antes.

Questionado se já existe, ou está prevista, uma decisão sobre esta matéria, Lacerda Sales disse que "não há um consenso nem a nível nacional, nem a nível internacional" e, por isso mesmo, é preciso esperar "no devido tempo" por uma decisão dos órgãos técnicos, que neste caso é a Direção-Geral da Saúde. 

O secretário de Estado assegurou que existem vacinas suficientes caso Portugal avance para uma terceira dose e que o facto de estarem a ser enviadas doses para os países mais pobres não prejudica o processo de vacinação: o objetivo é "não deixar vacinas na prateleira", explicou. 

Vacinação jovem: "É um período difícil"

Dos 410 mil jovens entre os 12 e os 15 anos, apenas 110 mil agendaram a vacina para o próximo fim de semana, 21 e 22 de agosto. Lacerda Sales justificou o número com o período de férias, mas espera um "grande afluxo" no início de setembro.

É um período difícil, período de férias", explicou. 

Num apelo à vacinação, o governante lembrou que as vacinas são "a maior forma de proteção quer em óbito, quer em doença grave, quer em internamentos".

Cláudia Évora