A deputada bloquista Mariana Mortágua afirmou esta terça-feira que o mecanismo de garantia associado ao Novo Banco consiste numa “fraude” que deixa o fundo norte-americano Lone Star ir retirando dinheiro ao Estado português.

Em declarações aos jornalistas nos passos perdidos do parlamento, a parlamentar do BE afirmou que “todo o mecanismo que está montado para proteger os interesses do Estado no negócio do Novo Banco é uma fraude”.

O contrato de venda do Novo Banco está feito para a Lone Star poder gerir os ativos de forma a retirar o mais rapidamente possível dinheiro público ao Estado, através do mecanismo de garantia”, lamentou.

O jornal Público noticiou hoje que um fundo das ilhas Caimão comprou casas do Novo Banco com o crédito desta instituição financeira, num negócio que foi um dos maiores do ramo imobiliário dos últimos anos e em que o Fundo de Resolução cobriu as perdas. Nesta investigação, refere-se mesmo que o Novo Banco vendeu e emprestou o dinheiro a quem comprou.

Entretanto, depois de o presidente do PSD, Rui Rio, ter pedido a intervenção do Ministério Público (MP), o primeiro-ministro socialista, António Costa, escreveu à procuradora Geral da República, Lucília Gago, a pedir que o MP, enquanto representante do Estado, desenvolva os procedimentos cautelares adequados à proteção dos interesses financeiros de Portugal.

Hoje, o PS já anunciou que quer que o presidente do Novo Banco seja ouvido logo na reabertura dos trabalhos parlamentares, em setembro, visando esclarecer suspeitas se a venda de imóveis feita por este banco está a lesar o Estado.

CDS-PP exige explicações e "verdade" sobre novas suspeitas no Novo Banco

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, exigiu hoje explicações dos "responsáveis políticos" e da supervisão bancária sobre as novas suspeitas que recaiem sobre a gestão do Novo Banco.

Não há um único português que não tenha ficado escandalizado com as suspeitas que hoje vieram a público sobre a gestão do Novo Banco”, disse aos jornalistas.

Francisco Rodrigues dos Santos falava na sede nacional do partido, em Lisboa, em reação à notícia do jornal Público, segundo a qual um fundo das ilhas Caimão comprou casas do Novo Banco com o crédito desta instituição financeira, num negócio que foi um dos maiores do ramo imobiliário dos últimos anos e em que o Fundo de Resolução cobriu as perdas. Nesta investigação, refere-se mesmo que o Novo Banco vendeu e emprestou o dinheiro a quem comprou.

Não é crível também, na opinião do CDS, que tudo isto tenha acontecido debaixo das barbas do Governo, com a supervisão novamente a falhar e sem que os responsáveis políticos e o Banco de Portugal tivesse sequer conhecimento do que se estava a passar”, salientou.

Na ótica do líder centrista, “as simples suspeitas que recaem neste momento sobre o Governo, sobre a supervisão e sobre o Novo Banco é gozar com a cara dos portugueses e com todos os esforços e sacrifícios que fizeram”.

Assim, “o CDS exige saber como é que cada cêntimo dos portugueses foi empregue e gasto no Novo Banco, com toda a transparência e verdade, e exige também aos responsáveis políticos, ao Governo e à supervisão do Banco de Portugal que deem estas explicações aos portugueses”, frisou Francisco Rodrigues dos Santos.

/ BC - atualizada às 15:35