A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou esta quarta-feira que Portugal, mais do que "festejar" resultados económicos, deve aproveitá-los para melhorar a vida das pessoas.

Muito mais do que festejar resultados económicos, o que o país precisa é de determinação e de fazer destes resultados algo em concreto por uma vida melhor das pessoas", disse aos jornalistas Catarina Martins em Vila Nova de Famalicão.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou que a economia portuguesa cresceu 2,8% em termos homólogos e 1% em cadeia no primeiro trimestre deste ano, mantendo os números divulgados na estimativa rápida.

Em reação a estes números, Catarina Martins, que falava durante uma visita à feira de Vila Nova de Famalicão, disse que comprovam que a austeridade "não estava a fazer bem à economia" e que era "verdadeiramente necessária uma mudança de política", mas sublinhou que ainda há um longo caminho a fazer.

Quando vemos sinais de que a economia está a reagir bem a uma recuperação dos rendimentos do trabalho, aquilo que sabemos é que o país continua a ser um país com muita gente com baixas pensões, baixos salários, com muita gente sem emprego ou com emprego precário", rematou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda falou ainda sobre o Salário Mínimo Nacional (SMN) reiterando que é necessário discutir o descongelamento dos salários na função pública.

Eu lembro - porque às vezes quando se fala da função pública tem-se pouca noção disto - que há já dois escalões da tabela remuneratória da função pública que ficaram abaixo do salário mínimo com a subida do salário mínimo", referiu.

E, acrescentou, no próximo ano, com uma nova subida do SMN, passarão a ser três escalões.

Com certeza, ninguém aceita que não haja repercussões na função pública das alterações dos escalões quando os salários dos privados também aumentam com o SMN a aumentar", acrescentou.

Por isso, e depois do descongelamento das carreiras, um compromisso que "terá de ser cumprido" em 2018, terá de ser discutido o descongelamento dos salários na função pública, defendeu a coordenadora do BE.

Catarina Martins admitiu, contudo, que o descongelamento dos salários na função pública é "um problema mais complexo".