O CDS-PP criticou esta quarta-feira a proposta de diretiva sobre o uso de linguagem “não discriminatória” nas Forças Armadas para a promoção da igualdade de género, considerando que é “patentemente ridícula, desnecessária e até insultuosa” para os militares.

Infelizmente, fazendo notar a sua costumada falta de sensibilidade para a instituição militar, o Governo socialista resolveu editar uma diretiva que é patentemente ridícula, desnecessária e até insultuosa para os nossos militares”, considera a direção do partido, num comunicado enviado à comunicação social.

O vice-presidente Filipe Lobo d’Ávila, que assina a nota, assinala que “o CDS-PP não pode calar a sua voz perante mais uma medida desprestigiante” para as Forças Armadas.

A TSF noticiou quarta-feira que a Secretaria-geral do Ministério da Defesa Nacional enviou aos ramos e ao Estado-Maior-General uma proposta de diretiva com orientações para uma "linguagem não discriminatória" e mais igualitária nas Forças Armadas, na qual se propõe, por exemplo, que em vez de escrever "o coordenador", deverá utilizar-se "a coordenação", em vez de "os participantes", "quem participa", ou até o "sejam bem-vindos" deve ser trocado por "boas vindas a todas as pessoas".

Na ótica do CDS, “a diretiva para a comunicação inclusiva nas Forças Armadas Portuguesas, dimanada há dias atrás do Ministério da Defesa Nacional, não tem nada de inclusiva e tem tudo de risível”.

As Forças Armadas “não precisam que o Governo procure à força que ideologia do género entre nos quartéis pela porta do cavalo”, sublinham os centristas.

A direção do CDS defende igualmente que as Forças Armadas “precisam é de um Governo que as queira modernas e robustas, e não moderninhas e subservientes”, de um Governo “competente que resolva a agonia de recursos humanos e materiais com que sobrevivem há anos a fio” e que “as reestruture por forma a ter forças militares bem apetrechadas e que motivem os mais jovens a engrossarem as suas fileiras”.

“Do que as Forças Armadas precisam é de um Governo que não as encare como um qualquer setor indiferenciado da função pública, mas antes como aquilo que são: um verdadeiro pilar da soberania nacional – atuando em conformidade”, acrescentam.

A “Orientação sobre a utilização de linguagem não discriminatória”, à qual a Lusa teve acesso, data de 18 de setembro, e foi elaborada no âmbito do Plano Setorial da Defesa Nacional para a Igualdade 2019-2021, “com vista à utilização de uma comunicação mais inclusiva”.

O objetivo, de acordo com o documento, é “salientar a importância para a utilização de linguagem sensível ao género, dar a conhecer exemplos práticos que previnam a utilização de linguagem discriminatória e contribuir para a eliminação dos estereótipos existentes".

No campo da comunicação escrita, recomenda-se a “neutralização ou abstração” de género, substituindo determinadas palavras por termos neutros – como por exemplo, em vez de “nascido em” preferir “data de nascimento”, ou substituir “os políticos” por “classe política”.

A comunicação oral não ‘escapa’ às recomendações, com a diretiva a recomendar que se evite linguagem que “muitas vezes descreve as mulheres de forma não valorativa ou mesmo depreciativa, até quando usada para insultos a homens”, como por exemplo, “as expressões “deixa-te de mariquices” ou “pareces uma menina, porta-te como um homem”.

Quanto à comunicação visual, é proposto que as Forças Armadas escolham “imagens que reflitam a diversidade no ambiente do seu organismo”, mostrando pessoas de géneros diferentes “em papéis de igual valor” ou ainda que exiba imagens “onde a presença do sexo sub-representado é diminuta”.

Estas diretrizes seriam aplicadas a “todos os documentos oficiais”, designadamente, “decisões de dirigentes e chefes militares e respetivas comunicações internas e externas, incluindo ofícios”, “apresentações institucionais e materiais usados em sessões de formação e apresentação”, bem como à “comunicação e relações públicas” – como guiões para cerimónias públicas, convites, notas de imprensa ou a comunicação nas redes sociais.

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