O eurodeputado CDS-PP Nuno Melo acusou o líder do partido de ter medo de ir a eleições antes das legislativas, mas garante que se fosse a votos e perdesse “ia para a rua com o Francisco Rodrigues dos Santos” fazer campanha pelo CDS-PP, esta sexta-feira, numa entrevista à TVI24.

Sobre as acusações levantadas por Francisco Rodrigues dos Santos que diz nunca ter sido aceite como presidente do partido por “não fazer fretes nem favores” e por não fazer parte de “uma elite” que agora leva a cabo “uma intifada” contra a sua direção desde o primeiro, Nuno Melo recorda que a oposição à atual direção começou naqueles que eram mais próximos do presidente.

Acho o discurso de Rodrigues dos Santos um bocado ridículo. Quem se demitiu da sua direção foi Filipe Lobo D’Ávila a dizer que o partido tinha um problema de afirmação externa e tendência para a morte lenta”, recordou o eurodeputado, acrescentando vários nomes de outros membros da direção do CDS-PP que abandonaram o projeto de Rodrigues dos Santos.

Nuno Melo, que mantém a intenção de se candidatar à liderança do CDS-PP quando o congresso se realizar, acusa a atual direção de “falta maturidade” e de, neste momento, se encontrar “completamente dependente do PSD”, insistindo numa coligação para as eleições legislativas que o PSD não aprovou.

Eu faço parte de um partido que deploraria ser ‘Os Verdes’ da direita. Note-se que o CDS é o único partido que vai a votos em legislativas com um líder sem mandato, sem moção de estratégia aprovada e sem congresso”, frisou.

Questionado sobre a possibilidade de “ressuscitar” o CDS-PP caso não haja Congresso Nacional antes do dia 30 de janeiro, Melo acredita que é possível, mas para isso o partido tem de voltar a ter “ ideias muito nítidas” e “quadros com pessoas capazes”. 

Espero que, apesar de tudo, aquelas cabeças se iluminem e que percebam que há uma oportunidade. Façam o Congresso e o CDS ficará de novo unido e em condições de enfrentar os desafios. Eu tenho essa disponibilidade. No que depender de mim, unirei e pacificarei. Se perder, ficarei do lado do Francisco a fazer campanha pelo CDS”, garante.

Recorde-se que o Conselho Nacional do CDS-PP decidiu, por proposta da direção, desconvocar o congresso eletivo do partido, e o líder do partido quer que se realize depois das eleições legislativas antecipadas de 30 de janeiro.

Nuno Melo impugnou esta decisão junto do Conselho Nacional de Jurisdição, órgão que lhe deu razão e declarou nula a convocatória da reunião que aprovou o adiamento, mas ainda não se pronunciou quando à impugnação da decisão.

Numa entrevista ao jornal ‘online’ Observador, o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, afirmou que “na situação em que está, o CDS não pode continuar virado para si próprio” e defendeu que gastar tempo “com guerras internas é um absurdo”.

Não podemos desperdiçar três semanas em guerras para depois termos um partido ainda mais esfrangalhado depois de uma peixeirada como aquela que estamos a ver desde que Nuno Melo aceitou ser candidato. O CDS mostrou responsabilidade” ao adiar a reunião magna na qual seria eleito o próximo líder, acrescentou.