O primeiro-ministro disse esta terça-feira que o aumento de casos de covid-19 em Portugal e a incidência particular na região de Lisboa e Vale do Tejo são fatores muito associados a celebrações familiares e a determinadas condições habitações.

No final do briefing do Conselho Europeu, o primeiro-ministro recusou estabelecer uma correlação entre o aumento de casos e os festejos do campeonato conquistado pelo Sporting, que juntou milhares de pessoas em Alvalade e no Marquês de Pombal.

Não há grande evidência. Há casos de pessoas infetadas e que participaram nos festejos, mas a fazer fé nas imagens que passaram na televisão do número de pessoas que estavam nos festejos e o número de casos verificados como tendo participado nos festejos, não há aí uma forte correlação", argumentou Costa.

Questionado sobre se a abertura de fronteiras com o Reino Unido tem estado na origem de um aumento de novos casos de covid-19, António Costa sublinha que “as infecções têm-se verificado mais por celebrações familiares, ou por determinadas condições de habitação, do que aos turistas, essa relação não foi estabelecida”.

Considerando que a situação pandémica no Reino Unido “não é distinta” daquela vivida em Portugal, o chefe do Executivo admite, no entanto, que a abertura do país seja responsável por um aumento do ritmo de transmissão. Agora, “a questão é saber se esse risco excede as margens de segurança”.

Nos últimos dias, tem-se verificado que, apesar da taxa de incidência continuar baixa, o ritmo de transmissão tem vindo a acelerar. Ora, sabemos que quando o ritmo de transmissão acelera, é uma questão de tempo para a taxa de incidência começar a aumentar”, explica.

Costa lança ainda outro aviso: Se o valor do país na matriz de risco se posicionar no amarelo “é preciso atuar mais firmemente, mais fortemente para prevenir que as coisas vão no sentido errado e possam regressar ao bom sentido”.

 

Portugal inicia esta semana “fase de testes” do certificado covid-19

Portugal vai iniciar ainda esta semana a “fase de testes” do certificado digital covid-19 da UE, que se prolongará durante o mês de junho, com vista à sua plena operacionalização no dia 1 de julho, revelou hoje o primeiro-ministro.

António Costa, que falava em conferência de imprensa, em Bruxelas, após a cimeira de líderes da União Europeia que voltou, “obviamente”, a debater a coordenação europeia no combate à pandemia da covid-19, indicou que, na sequência do acordo político alcançado pela presidência portuguesa do Conselho da UE com o Parlamento Europeu para a implementação do certificado, “vivamente saudado” pelos seus homólogos, terá agora início a fase de testes do sistema na Europa.

O primeiro-ministro indicou que “a Comissão informou que, do ponto de vista operacional, terá tudo pronto no próximo dia 1” de junho e “os diferentes países vão começar a testar agora a ligação e o funcionamento do sistema”, sendo o objetivo que o certificado, criado com vista a facilitar a livre circulação na UE a tempo de ‘salvar’ o verão de 2021, “entre em vigor no próximo dia 1 de julho”.

Nós temos vindo a trabalhar, por um lado, na criação das condições técnicas para a emissão de certificados digitais para os residentes em Portugal e, por outro lado, para a instalação nos aeroportos dos mecanismos de leitura dos certificados digitais de que terceiros sejam portadores. Vamos entrar em fase de testes no final desta semana e, portanto, o mês de junho vai ser sobretudo um mês para testes destas aplicações e verificação de que tudo possa funcionar corretamente”, declarou.

Quanto à utilização que as autoridades nacionais tencionam dar ao certificado – e que poderá variar de Estado-membro para Estado-membro, havendo vários países que o exigirão por exemplo para o acesso a eventos culturais ou restaurantes -, o chefe de Governo indicou que, em Portugal, este ‘livre-trânsito’ deverá ter efeitos efetivamente apenas a nível de trânsito nas fronteiras.

Neste momento, como se sabe, em Portugal não há nenhuma restrição ao acesso a teatros ou restaurantes que não sejam comuns, ou seja, limitação das lotações, obrigatoriedade do uso de máscara e, obviamente, [estes locais] não podem ser frequentados por quem está em situação de confinamento profilático. Portanto, o certificado digital não justifica qualquer outro passo” neste domínio, disse.

Já “relativamente às condições de entrada e saída do país, sim”, admitiu, “haverá necessidade de ajustar as medidas”.